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Os fósseis encontrados contam uma história. Contam que, há milhares de anos, no período da Idade da Pedra, uma mulher, em avançado estado de gravidez, foi amarrada e atirada às águas de um lago, num território que hoje consideramos ser o Quénia. Com ela estavam, pelo menos, mais 27 membros do que se pensa ser a sua tribo, dando a ideia de uma morte terrível às mãos dos caçadores-recoletores da época.

Contam também que entre este número estavam, pelo menos, oito mulheres e seis crianças brutalmente assassinadas. Os 27 fósseis apresentavam ferimentos graves, como crânios fraturados e esmagados, esqueletos perfurados, possivelmente com lâminas de pedra, mãos, joelhos e costelas partidas, e, no caso de dois homens, pontas de flecha ainda alojados no crânio e no peito.

A descoberta, publicada esta semana na revista Nature e citada pelo The Guardian, foi feita em Nataruk, em 2012, a 30 km do lago Turkana, no Vale do Rift, norte do Quénia.  "As mortes no Nataruk são um testemunho da antiguidade da violência inter-grupos e da guerra", explica Marta Mirazon Lahr, do Centro de Estudos de Leverhulme, da Universidade de Cambrige, e que liderou a investigação.

A investigadora acrescenta que "estes restos humanos registam a morte intencional de um pequeno grupo de pessoas, sem um enterro deliberado, e fornece provas únicas de que a guerra fazia parte do repertório de relações inter-grupais entre alguns caçadores-recoletores pré-históricos".

O espaço temporal foi identificado como sendo posterior à Idade do Gelo, através da análise dos ossos e dos sedimentos encontrados.

A área, agora inóspita, era há cerca de 10 mil anos um lago fértil, com bons recursos de pesca, madeira e água fresca. Um lugar altamente desejável para um grupo humano se estabelecer, algo que poderá ter ditado o desfecho trágico.

"O massacre de Nataruk pode ser o resultado de uma tentativa de conseguir os recursos - o território, as mulheres, as crianças, os alimentos armazenados - com valor comparável aos das sociedades agrícolas posteriores, onde ataques violentos para obter recursos passaram a fazer parte do dia a dia", afirma Marta Mirazon Lahr.

A investigadora concluiu que a violência extrema era tipicamente utilizada e não seria apenas uma brutal exceção. Por outro lado, o professor Robert Foley, co-autor do estudo, tem uma visão mais otimista da condição humana: "Eu não tenho dúvidas de que está na nossa natureza sermos agressivos e letais, assim como também cuidarmos e amarmos. Muito do que nós sabemos da evolução humana sugere que estas ações são dois lados da mesma moeda", conclui Foley.