A Associação Portuguesa dos Industriais de Carnes (APIC) não receia uma retracção no consumo na sequência do alerta da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre os perigos da ingestão de produtos processados.

A dirigente da APIC Laurentina Pedroso, que é também Bastonária da Ordem dos Médicos Veterinários, diz à Renascença que o estudo da OMS que aponta a carne processada como cancerígena não terá impacto nos hábitos alimentares dos portugueses porque a comunidade científica tem desdramatizado a questão.

“Os média têm passado mensagens muito claras da parte da comunidade científica, nomeadamente com o reforço particular de nutricionistas e médicos de que esta situação não pode ser avaliada com o estudo em si”, refere.

“O assunto do cancro é um assunto muito complexo para o qual contribuem muitos outros factores como a genética e meio ambiente. A alimentação é apenas uma componente. Temos a esperança de que essa mensagem científica que está a ser passada esclareça o consumidor e não dê margens para dúvidas de que devemos evitar os excessos e que uma dieta equilibrada é muito positiva”, acrescenta a responsável da APIC.

Laurentina Pedroso lembra, por outro lado, que o estudo da OMS chama em particular a atenção para o consumo exagerado de alguns tipos de carnes.

“O estudo contempla o consumo de cerca de 50 gramas por dia de produtos processados quando, na realidade, a situação europeia é de cerca de metade ou menos de metade dos valores apresentados no estudo”, aponta.

Francisco George e a alheira: Ordem dos Médicos Veterinários aplaude acção

Laurentina Pedroso aplaude a recente deslocação a Mirandela do Director-geral da Saúde, Francisco George, para degustar uma alheira como forma de garantir a segurança no consumo deste alimento depois de confirmados alguns casos de botulismo decorrentes da ingestão de enchidos.

“Estamos a falar de um conjunto de produtos nacionais que são do gosto de muitos portugueses, e o senhor director-geral, com esse gesto, só demonstra o conhecedor que ele é das áreas da saúde e o grande bom senso que tem.”

“Muitas vezes as situações que acontecem são pontuais. A segurança alimentar é aquilo para que mais trabalhamos; infelizmente, não é uma situação de zero riscos. Pontualmente teremos situações com as quais devemos aprender e que deverão ser prontamente corrigidas”, remara Laurentina Pedrosa.