O ministro da Defesa está preocupado com a fraca adesão dos jovens à carreira militar. Para este ano são precisos perto de seis mil efectivos para os três ramos das Forças Armadas, mas só houve mil inscritos.

Em entrevista no programa "Terça à Noite" da Renascença, Azeredo Lopes admite que os números do recrutamento são preocupantes.

"Estou preocupado porque aquilo que representa a incapacidade de atingir um determinado objectivo que se considera ser sustentáculo para a existência de Forças Armadas eficientes e capazes de se renovar é sempre preocupante", afirma o governante.

O Exército é o ramo mais afectado, mas também a Marinha e a Força Aérea vão sentir este ano os efeitos da quebra no recrutamento.

Ao longo dos anos são cada vez menos os jovens que procuram as Forças Armadas, que desde 2004 funcionam em regime de profissionalização, com contratados e voluntários.

Este ano são precisos seis mil novos efectivos, um número que o ministro da Defesa admite não ser normal. Azeredo Lopes explica as razões desta necessidade de incorporar nas forças armadas, tantos jovens.

"Este número é enorme e resulta de, em anos transactos, ter havido cortes brutais nas incorporações que levam a que cheguemos a uma situação que não é normal. Não vamos precisar todos os anos de seis mil que queiram seguir a vocação militar. Admito que possa haver elementos na carreira militar que hoje sejam menos atraentes do que no passado. Finalmente, há que perguntar se não temos que comunicar melhor", sublinha.

"Terrorismo transnacional é ameaça sem precedentes"

O ministro da Defesa considera que a NATO não pode descurar o chamado flanco Sul, devido à vaga de migrantes e refugiados e ao perigo à segurança que representa o autoproclamado Estado Islâmico, mas também a Al-Qaeda que não desapareceu.

"Para Portugal, a ameaça do Daesh [o autoproclamado Estado Islâmico], da Al-Qaeda e, em geral, pelo terrorismo transnacional, o conselho de segurança disse uma coisa muito certeira: que é uma ameaça sem precedentes a paz e segurança internacionais", afirma Azeredo Lopes.

A poucos dias da cimeira da NATO, na Polónia, que será dominada pela estratégia de contenção ao avanço da Rússia no Leste da Europa, o ministro da Defesa diz que tem de imperar o diálogo e Moscovo não pode ser visto como "o inimigo".

Azeredo Lopes diz que "olhar só para o flanco Leste não é a melhor estratégia. Refere que Portugal já manifestou preocupação também com o chamado flanco Sul, onde cresce a já referida a grande ameaça do terrorismo transnacional, a vaga de refugiados e o tráfico de seres humanos.

Brexit. Portugal pede clarificação à UE

O Governo continua empenhado no projecto europeu, mas, depois do "Brexit", o ministro da Defesa pede uma clarificação por parte da União Europeia.

Em entrevista ao programa "Terça à Noite" da Renascença, Azeredo Lopes defende que o resultado do referendo que ditou a saída do Reino Unido da UE obriga à tomada de medidas.

"O que incomoda é continuarmos a ter alguma dificuldade em termos posições claras sobre posições claras, como um todo. Não se trata de fugas para a frente ou de bater em retirada, mas de melhorar a qualidade do processo de integração em que o Governo e o Estado português continuam fortemente empenhados", conclui o ministro da Defesa.