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O Partido Popular (PP), do actual primeiro-ministro Mariano Rajoy, saiu vitorioso das eleições de domingo, com 123 mandatos eleitos, mas não alcançou a maioria. No segundo lugar do pódio ficou um partido socialista derrotado, com os piores resultados eleitorais desde 1989.

Já o Podemos celebrou a vitória, alcançando 69 deputados, e o Ciudadanos, que terminou as sondagens com uma vantagem significativa sobre o Podemos e com apenas um ponto percentual de diferença para os socialistas, caiu para quarto lugar, com 40 mandatos.

Depois de uma campanha intensa e uma noite ainda mais sôfrega, a questão que Espanha agora enfrenta é: o que vai acontecer?

O actual primeiro-ministro, Mariano Rajoy celebrou a vitória em Madrid, na rua, seguido de perto pela vice-primeira-ministra, Soraya Saénz de Santamaria.

Agradecendo aos seus apoiantes, rindo e até pulando, Rajoy avisou que esta etapa não vai ser fácil e sublinhou que sempre disse que quem ganha deve tentar formar governo.

“Vou tentar formar governo e acredito que Espanha precisa de um governo estável”, declarou em frente a centenas de pessoas que empunhavam bandeiras do partido e de Espanha.

“Será necessário falar muito, dialogar mais, chegar a entendimentos e acordos e eu vou tentar fazê-lo”. Com quem? Não disse.

Já o candidato socialista, Pedro Sánchez, chegou para discursar na sede do partido em Madrid onde uma audiência ansiosa o esperava na sala cheia. Sem sorrisos nem alegria, aceitou a derrota, felicitou o Partido Popular e apesar de notar que “Espanha quer a esquerda, Espanha quer a mudança”, admitiu que os votos mostram que “o Partido Popular é a primeira força política em Espanha”.

“Esta é uma nova etapa política em Espanha, é preciso abrir um processo e um período de diálogo. A democracia é diálogo e debate e o PSOE está disposto a debater e a dialogar, mas a primeira força política tem que tentar formar governo”, concluiu, abrindo uma porta para um pacto com o PP ou apenas uma possível aprovação do governo conservador.

O segundo vitorioso da noite foi o Podemos, que conseguiu 69 deputados, ganhou na Catalunha e foi o segundo partido mais votado em Madrid. De sorriso na cara, Pablo Iglesias anunciou às centenas de pessoas na Praça Rainha Sofia em Madrid: “Acabou-se o sistema de turnos em Espanha, os espanhóis votaram numa mudança”.

Disse que agora o objectivo do partido é a reforma constitucional, relembrou que tem como prioridade a questão independentista da Catalunha, mas não falou de coligações.

Albert Rivera, desiludido, deixou as opções em aberto. Notavelmente triste, Rivera disse estar orgulhoso de que o Ciudadanos tenha cumprido a sua função: a de acabar com o bipartidarismo e criar um novo centro político em Espanha.

Disse também estar orgulhoso pelo partido “não ter pactuado com tudo e com todos” para benefício próprio, mas mostrou vai estar disponível para dialogar. “Desde o novo centro político, vai ser mais fácil dialogar”, considerou.

Os cenários em cima da mesa são três: uma grande coligação entre PP e PSOE, uma união à direita ou uma outra à esquerda, que a imprensa espanhola apelidou de “pacto de perdedores”, à semelhança do que aconteceu em Portugal.