Há 100 anos, o carvão movia o mundo e iluminava as noites. Com o início da Primeira Grande Guerra tornou-se num produto muito caro para as potências do centro da Europa, como a Alemanha e o Império Austro-Húngaro.

Este minério escuro era fundamental para mover as tropas e iluminar as fábricas de armamento, duas das prioridades da Alemanha. Para conseguir fazer poupanças, a decisão de mudar a hora ocorre a 6 de Abril de 1916 e foi decretada pelo imperador Guilherme II da Alemanha.

O exemplo alemão foi seguido por muitos países europeus. No fundo, era uma medida económica que rendia poupanças. Os países da região, como os Países Baixos e a Suécia, adiaram os seus relógios nos dias seguintes.

No entanto, a decisão com maior significado histórico foi a dos britânicos. Afinal, aqueles que tinham inventado o horário de verão em primeiro lugar não queriam ser os últimos a implementá-lo.

Um ano antes de a Alemanha decretar o adiantamento da hora, no Reino Unido havia morrido o construtor William Willett. Apaixonado por corridas de cavalos e golfe, Willett ficava aborrecido com o facto de, durante o Verão, não poder aproveitar mais horas de sol, ainda que os dias fossem mais longos.

Em 1907, o empresário dedicou grande parte do seu tempo e dinheiro para convencer a Câmara dos Comuns a promulgar uma lei que fizesse avançar o tempo. A esse novo horário deu o nome de “DST”, Daylight Saving Time, (horário de verão), termo que ainda hoje é utilizado.

William Willett conseguiu que a sua ideia fosse debatida cinco vezes na Câmara dos Comuns. Em todas foi chumbada. Apesar de ter alguns aliados fortes do seu lado, como o então futuro primeiro-ministro, Winston Churchill, mas tinha igualmente fortes opositores, nomeadamente a comunidade científica.

A decisão alemã, anos depois, fez com que o governo britânico, que havia sempre declinado o plano de Willett, o promulgasse, para sustentar a economia de guerra.

Grande parte dos mineiros de carvão estavam nas trincheiras e a produção do mineral tinha diminuído. Além disso, ao ter mais horas de sol, o consumo de electricidade seria reduzido e os barcos poderiam ser descarregados até mais tarde, sem medo de ataques de dirigíveis alemães.

Willett não viveu o suficiente para ver a sua ideia tornar-se realidade. Nem viria a saber que os britânicos iriam apelidar a nova hora de verão “horário de Willett”.

Em 1927, um relógio solar de pedra foi construído em sua honra em Petts Wood, no sudeste de Inglaterra. Por baixo do ponteiro, pode ler-se “Horas non numero nisi sestivas”, que significa “só conto as horas de verão.”