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"A comissão parlamentar do Ambiente solicitou um encontro com a comissão da Assembleia da Extremadura, que também trata destas matérias de ambiente e energia, para trocarmos impressões e debatermos o problema de Almaraz e da construção do armazém de resíduos nucleares", disse hoje à agência Lusa Pedro Soares.

"Recebemos a resposta de que declinavam esse convite para conversarmos e remetiam-nos para o congresso dos deputados em Madrid com o argumento que não teriam competências" a este nível, avançou o presidente da Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território, Descentralização, Poder Local e Habitação.

Para o deputado do Bloco de Esquerda, "há uma atitude que parece pouco dialogante por parte de algumas entidades de Espanha sobre esta matéria".

"Ao contrário do que a senhora ministra do Ambiente espanhola tinha dito há dias, que haveria toda a abertura, transparência, diálogo entre Portugal e Espanha para tratar este assunto, o que vemos é um fechamento completo de todos os canais de diálogo", sobretudo a nível parlamentar, realçou.

Recordou que os deputados do congresso espanhol pediram à presidente do parlamento para se deslocarem a Lisboa e contactar os seus homólogos portugueses e "foram proibidos de vir", depois de Pedro Soares se ter deslocado a Madrid.

As três empresas espanholas que são as principais proprietárias da central nuclear de Almaraz - Iberdrola, Endesa e Union Fenosa - também declinaram a vinda ao parlamento português.

O Movimento Ibérico Antinuclear (MIA) já lamentou a atitude da presidente da Assembleia da Extremadura, considerando ser uma "de cortesia de primeira ordem".

"Lamentamos que, para a presidente da Assembleia [da Extremadura], a proteção dos interesses nucleares esteja à frente de uma boa vizinhança entre a Extremadura e Portugal", acrescenta o MIA.

A construção de um armazém de resíduos nucleares na central de Almaraz, a 100 quilómetros da fronteira portuguesa, e a falta de informação sobre o projeto levou Portugal a apresentar uma queixa na Comissão Europeia, depois retirada, com a promessa de Espanha fornecer os dados pedidos, nos próximos dois meses.

Se os resultados deste trabalho forem "inconclusivos", Portugal poderá voltar a apresentar queixa na Comissão Europeia.

No final de fevereiro, 16 técnicos de Portugal, três dos quais de entidades independentes e os restantes da administração pública, nomeadamente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e da Direção Geral da Saúde, visitaram a central de Almaraz e estão a preparar um relatório sobre a instalação.

Vários setores da sociedade, como ambientalistas e partidos políticos, receiam que a construção do armazém signifique que Espanha se prepara para autorizar o prolongamento do funcionamento da central nuclear além dos 40 anos, quando deveria terminar em 2020.