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As 39 organizações europeias “contestam a tentativa da FAO [Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação] de promover a queima de biomassa como ferramenta de combate às alterações climáticas, alegando de forma enganosa que é neutra em emissões de carbono”, refere um comunicado hoje divulgado pela Zero.

Para a Associação Sistema Terrestre Sustentável, Zero, a produção de energia em larga escala “nunca poderá ser alimentada apenas por sobrantes e resíduos resultantes da gestão florestal”.

A posição dos ambientalistas, divulgada poucos dias antes do Dia Internacional das Florestas, que se assinala na terça-feira, salienta também que um eventual sobredimensionamento das centrais de valorização da biomassa “pode facilmente obrigar à indesejável queima de madeiras de qualidade para dar resposta às necessidades de retorno e de equilíbrio financeiro das entidades gestoras”.

A Zero alerta para os riscos do uso generalizado da biomassa florestal para a produção energética, apontado pela FAO, que argumenta serem as florestas consideradas a maior fonte de energia renovável do mundo, “ignorando os graves impactes negativos da utilização da biomassa sobre o ambiente, as comunidades locais, a saúde das pessoas, o clima e, sobretudo, sobre as florestas”.

O objetivos da União Europeia para as energias renováveis “podem vir a gerar uma procura de cerca de 100 milhões de metros cúbicos de madeira destinadas à produção de energia, induzindo uma redução significativa da capacidade das nossas florestas sequestrarem e armazenarem carbono”, salientam os ambientalistas.

Assim, apelam à FAO para que deixe de promover o uso da biomassa em grande escala para a produção de energia e de apontar a utilização da biomassa como “renovável” e “sustentável”, e defende que deve apostar na conservação e restauro de ecossistemas florestais e da biodiversidade a estes associada, “o que certamente contribuirá mais para a mitigação das alterações climáticas do que a queima de árvores”.

A biomassa representa 3,5% do total de potência instalada renovável em Portugal (450 megawatts), onde há cerca de 2,2 milhões de toneladas de consumo de biomassa para energia, por ano, e a Zero alerta para o possível risco “de não-potenciação de sinergias entre as centrais de valorização de resíduos de biomassa florestal residual e outras unidades industriais”, como do setor agroalimentar, visando o aproveitamento do vapor produzido e a maximização da eficiência energética do processo.

Dá o exemplo da central de biomassa em Mortágua, no distrito de Viseu, que apresenta uma “eficiência relativamente reduzida” e é somente utilizada para produção de eletricidade, bem como as duas centrais entretanto aprovadas.