O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) indicou hoje que desde domingo passado 296 pessoas, das quais 71 crianças e 42 mulheres, foram mortas e outras 1.400 ficaram feridas na sequência dos bombardeamentos e dos ataques de artilharia em Ghouta Oriental.

“Estou profundamente triste com o sofrimento da população civil em Ghouta Oriental. Quatrocentas mil pessoas vivem o inferno na terra”, declarou Guterres, diante do Conselho de Segurança da ONU, que tenta negociar há vários dias uma possível resolução para decretar uma trégua humanitária de um mês em todo o território sírio.

O secretário-geral da ONU afirmou que a suspensão da violência deve permitir que a ajuda humanitária chegue a todos aqueles que precisam, bem como a retirada de cerca de 700 pessoas que precisam de tratamento médico urgente.

“É uma tragédia humana que está a desenvolver-se diante dos nossos olhos e penso que não podemos deixar as coisas prosseguir desta forma horrível”, frisou o ex-primeiro-ministro português, que assumiu a liderança das Nações Unidas em janeiro de 2017.

Ainda nesta intervenção, Guterres saudou os esforços desenvolvidos pelo Kuwait e pela Suécia, que estão a elaborar o projeto de resolução para uma possível trégua humanitária na Síria durante um período de 30 dias.

Os aviões do regime de Damasco bombardearam hoje, e pelo quarto dia consecutivo, a zona de Ghouta Oriental, o último grande bastião da oposição ao Presidente sírio, Bashar al-Assad, perto da capital síria.

A atual ofensiva das forças do regime sírio nesta zona já começou, no entanto, a 05 de fevereiro.

Com cerca de 400 mil habitantes, o enclave rebelde está sitiado pelas forças do regime sírio de Bashar al-Assad desde 2013 e enfrenta uma grave crise humanitária, marcada pela escassez de alimentos e de medicamentos.

Em reação aos raides aéreos realizados pelas forças governamentais, os rebeldes de Ghouta Oriental têm disparado regularmente tiros de morteiro sobre Damasco.

Desencadeado em março de 2011 pela violenta repressão do regime de Bashar al-Assad de manifestações pacíficas, o conflito na Síria ganhou ao longo dos anos uma enorme complexidade, com o envolvimento de países estrangeiros e de grupos ‘jihadistas’, e várias frentes de combate.

Num território bastante fragmentado, o conflito civil na Síria provocou, desde 2011, mais de 350 mil mortos, incluindo mais de 100 mil civis, e milhões de deslocados e refugiados.