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À margem da apresentação do livro ‘O Efeito Trump e o Brexit’, da autoria de Jorge Castela, que hoje decorreu na sede da Associação Industrial Portuguesa (AIP), Jaime Nogueira Pinto disse não querer fazer “uma grande história” da conferência cancelada na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da UNL, mas entende que a situação tem gravidade suficiente para merecer um esclarecimento.

“Acho que a única coisa que é grave – e por isso valerá a pena algum esclarecimento, e de alguma forma as coisas terem uma saída airosa e honrosa para todos – é que de facto o princípio de que umas criaturas podem proibir porque ideologicamente lhes apetece não é um grande princípio”, disse Jaime Nogueira Pinto aos jornalistas.

O politólogo disse não saber ainda se a conferência cancelada será reagendada, ou se haverá uma nova conferência que a substitua, e que o reitor da UNL, António Rendas ainda não falou, mas irá falar consigo sobre o sucedido.

“Eu penso que agora as pessoas hão de falar comigo e saber se é esta conferência, se é outra. Agora também não tenho vida para andar a fazer conferências, não sou conferencista profissional. Penso que eles querem fazer uma espécie de reparação desta história que não foi assim muito feliz, mas não há nada sobre isso ainda”, disse.

Jaime Nogueira Pinto disse que o episódio recente “não foi uma coisa agradável”, mas disse não ser “rancoroso” nem estar “ressentido”, dispensando pedidos de desculpa públicos.

“Essas coisas dos pedidos de desculpa, isso é para os políticos, eles é que querem desculpas em público. Graças a Deus, isso dispenso perfeitamente”, afirmou o professor, que considerou que o mediatismo que a situação obteve “é capaz de ser um bocadinho falta de assunto, de outros assuntos importantes”.

De agradável a situação teve apenas, disse Nogueira Pinto, “ver que a maior parte das reações e das pessoas foram de facto bastante positivas e críticas”, incluindo aqui a reação do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

“Acho que [a reação do presidente] foi aquela que foi tomada por muitas pessoas. Uma vez que falou, não esperava outra”, disse.

A reitoria da Universidade Nova de Lisboa rejeitou em comunicado que a liberdade de expressão esteja em causa na instituição, depois do cancelamento da conferência por deliberação duma associação de estudantes.

Num comunicado sumário, a reitoria da universidade garantiu a continuação da “cultura de liberdade de expressão” e afirmou que a conferência, que estava agendada para terça-feira na FCSH, “foi adiada” para que o tema proposto possa ser discutido “de forma alargada e objetiva num clima sereno”.

A instituição espera por “condições de completa abertura e diálogo plural”, emitindo o comunicado horas depois de o Presidente da República ter dito publicamente que esperava esclarecimentos sobre o cancelamento, que considerou uma decisão absurda e incompreensível.

Promovida por alunos de um movimento designado Nova Portugalidade, a conferência-debate com Jaime Nogueira Pinto tinha como temas “Populismo ou Democracia? O Brexit, Trump e Le Pen em debate”.

Em Reunião Geral de Alunos (RGA), foi votada uma moção exigindo o seu cancelamento, com o argumento de que o evento estava “associado a argumentos colonialistas, racistas, xenófobos”, e a Associação de Estudantes alega ter ficado vinculada a essa moção.

O ministro que tutela o ensino superior, Manuel Heitor, ligou ao reitor da UNL na sequência do cancelamento, exigindo garantias de que não estava em causa a liberdade de expressão, as quais lhe foram dadas, revelou no parlamento.

Já na quarta-feira a associação de estudantes da FCSH denunciou ameaças por parte de 40 pessoas ligadas à extrema-direita, que invadiram as instalações da direção da associação.

O Partido Nacional Renovador (PNR) convocou para o dia 21 um protesto em frente à faculdade “contra o totalitarismo do pensamento único e pela liberdade de expressão para todos”.