Apoiados por helicópteros e dezenas de veículos blindados, 3.600 militares e mais de 1.300 polícias de diversas unidades participaram da operação, iniciada às 4h00 locais em quatro favelas da zona norte e numa na zona oeste.

A operação concentrou-se em dezenas de responsáveis por roubos de camiões de carga, mais um flagelo num estado à beira da falência, castigado pela corrupção, pela guerra entre quadrilhas rivais de narcotraficantes e por execuções realizadas por milícias.

O secretário de Segurança do Rio, Roberto Sá, informou que "dois criminosos morreram em confrontos" no Complexo do Lins e no Morro São João, no Engenho Novo, ambos na zona norte.

No total, 24 adultos e dois adolescentes foram detidos, segundo o balanço oficial.

Num incidente sem relação com a operação, um polícia morreu num acidente de trânsito quando o veículo em que eram transportados dois detidos colidiu com um autocarro, informaram as autoridades.

Clima de "tensão e medo"

Militares com roupas camufladas posicionaram-se desde cedo nos acessos ao complexo do Lins, com as armas prontas a disparar.

Carros blindados e jipes bloqueavam o acesso ao local, onde quem entrava ou saía era submetido a controlos de identidade, buscas por armas e revistas de pacotes.

"Há um clima de tensão e medo. Quase ninguém conseguiu ir trabalhar", relatou Vanuza Barroso da Silva, de 23 anos, que se dirigia para o trabalho, num supermercado.

Por volta das 18h00 locais, a Secretaria de Segurança (Seseg) divulgou o balanço final da operação: foram apreendidos quatro quilos de cocaína, 13 de marijuana, três pistolas, duas granadas e 22 veículos.

"Os agentes recuperaram cargas roubadas, entre elas de material escolar, cosméticos, roupas e parte do conteúdo roubado" de um camião dos correios, acrescentou a Secretaria.

Segunda fase da "Segurança e paz"
O presidente Michel Temer ordenou a 26 de julho o envio de 8.500 militares para integrar uma força de 10.000 homens a fim de conter a onda de insegurança no Rio de Janeiro.

A Seseg indicou que a operação deste sábado, chamada "Onerat" ("carga", em latim), marca a segunda fase da operação, batizada de "Segurança e Paz", que se deve estender até o final de 2018 e se baseia em ações estratégicas e ações surpresa.

Essa estratégia contrasta com a empregada até o momento, de ocupação temporária do território, que volta a ser controlado pelos criminosos assim que as tropas se retiram.

A operação ocorre exatamente um ano depois da inauguração dos Jogos Olímpicos do Rio-2016, durante os quais dezenas de milhares de militares garantiram a segurança na cidade.

O primeiro semestre deste ano foi o mais violento no estado desde 2009, com 3.457 mortes violentas, 15% a mais que no mesmo período de 2016, de acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP). A área com maior número de casos (23%) é a Baixada Fluminense, na região metropolitana do Rio.

Até agora este ano, mais de 90 polícias foram mortos em confrontos ou fora de serviço. O último caso ocorreu na madrugada deste sábado, quando um sargento da Polícia Militar foi morto a tiro no seu carro, de acordo com uma nota da polícia, citada pela imprensa.

AFP/ Jorge Svartzman / Sebastian Smith