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"Este livro não passa de um traiçoeiro, de um vil e de um mesquinho ataque contra mim. Isto não se trata de nenhuma prestação de contas, isto trata-se de um ataque político a um adversário", disse José Sócrates em entrevista à TVI hoje à noite, a propósito do livro lançado recentemente pelo antigo chefe de Estado "Quintas-feiras e outros dias".

O antigo primeiro-ministro acusou, por mais do que uma vez, Cavaco Silva de ter mentido neste livro e, a propósito de um capítulo sobre a autoestrada transmontana foi mais longe: "Comecei a reparar numa certa consonância entre as insinuações do senhor Presidente da República e as suspeitas do Ministério Público".

Para Sócrates, o episódio das escutas a Belém, em 2009 - cuja responsabilidade Cavaco Silva atribui ao PS - "foi um momento de inversão" na relação com o antigo chefe de Estado, apelidando o livro de "inusitado e extraordinário", uma vez que "há memórias e há bisbilhotice política".

"O problema não é apenas revelar essas conversas. É deturpá-las e faltar à verdade", acusou.

O antigo primeiro-ministro acusou Cavaco Silva de conspiração no episódio das escutas e de ter usado "métodos infâmes de política" e considerou que "um homem que é capaz de fazer isto, é homem que é capaz de fazer tudo".

"Não há duas versões, só há uma. A verdade é que o senhor PR colocou uma notícia nos jornais para me atingir, para atingir o PS e para impedir que nós ganhássemos as eleições, que apesar de tudo ganhamos", frisou.

Sobre a crise política de 2011, Sócrates volta a acusar Cavaco Silva de mentir, assegurando que nesse período o antigo Presidente da República se comportou "sempre como o principal fautor da crise política", já que "sempre manobrou na sombra com o intuito de deitar a baixo o Governo", tendo sido completamente indiferente aos interesses do país".

O antigo primeiro-ministro aproveitou a menção à crise de 2011, provocada pelo chumbo do PEC IV para lamentar uma "campanha do maior partido da oposição durante 15 dias" com uma mentira a propósito da sua atuação.

"Eu informei doutor Passos Coelho, eu tive uma reunião com o doutor Passos Coelho. Eu expliquei-lhe o que é que íamos fazer na noite anterior. Eu aguentei porque me comprometi nessa reunião a não revelar essa reunião", assegurou.

De acordo com o socialista, "a direita política há muito tempo que usa estes métodos, como está a usar agora. Quando não conseguem vencer os outros no terreno da política, o que fazem é ir ao caráter".

"Veja o que se tem passado neste último ano no parlamento. Temos que reconhecer que há aqui um sucesso indiscutível do Governo. Pois você vê os debates no parlamento. Aquilo é sempre atacar o caráter do PM. Já lhes chamaram quantas vezes mentiroso? Quantas vezes a bancada do CDS, do PSD lhe chama mentiroso?", condenou.

Um ano depois de ter deixado a Presidência da República, Cavaco Silva lançou a 16 de fevereiro passado o primeiro livro sobre os dez anos que esteve em Belém, para "completar a prestação de contas aos portugueses".

Com quase 600 páginas, o livro tem como parte central a coabitação entre 2006 e 2011 com o então primeiro-ministro socialista José Sócrates, com quem tradicionalmente se reunia às quintas-feiras.

A última quinta-feira decorreu num tom cordato e agradável, mas das 188 reuniões semanais e cinco anos de coabitação entre José Sócrates e Cavaco Silva ficam também acusações de mentiras e falsidades, histórias de deslealdade, desconfianças e fingimentos.

Sobre a "Operação Marquês", processo no qual é arguido, José Sócrates insistiu em dizer que o prazo da investigação acabou a 19 de outubro de 2015 e que espera que o Ministério Público arquive o inquérito, porque as suspeitas são “falsas, injustas e infundadas”.

Dois anos após o início da investigação, que a 20 de novembro de 2014 fez as primeiras detenções, a investigação deverá estar concluída a 17 de março por determinação da Procuradora-Geral da República.