No dia de 17 de maio de 2016, Fernando Santos anunciou ao país os 23 convocados que iriam representar Portugal em França, no Campeonato da Europa de Futebol.

Eram eles os guarda-redes Anthony Lopes, Eduardo e Rui Patrício; os defesas Bruno Alves, Cédric, Eliseu, José Fonte, Pepe, Raphael Guerreiro, Ricardo Carvalho e Vieirinha; os médios Adrien, André Gomes, Danilo Pereira, João Mário, João Moutinho, Renato Sanches e William Carvalho; e os avançados Cristiano Ronaldo, Éder, Nani, Rafa e Ricardo Quaresma.

De entre o último grupo sobressai um nome: Éder, uma escolha que à data levantava dúvidas. Hoje, sabemo-lo, palpite certeiro de Fernando Santos.

No dia 25 de maio de 2016, já com a convocatória fechada, o país perguntava a Fernando Santos - como quem se lembra de um argumento muito bom depois de uma discussão perdida há vários dias - e André Silva?

André. André Silva. O nome começou a ficar no ouvido depois da final da Taça de Portugal da temporada 2015/16. No Jamor, o FC Porto de José Peseiro defrontava o Sporting de Braga de Paulo Fonseca. Os dragões com fome de títulos e os bracarenses com a final de 2014/15, perdida então para o Sporting de Marco Silva, atravessada na garganta.

Num Porto que vivia numa nova era - a pós-Jackson Martinez -, sem uma referência para o ataque, depois de não terem encontrado um substituto à altura do colombiano - Osvaldo e Aboubakar ficaram aquém das expectativas -, o jovem português, na altura com 20 anos, foi a surpresa no onze inicial.

Em campo respondeu aos porquês com um bis numa altura em que os dragões perdiam por 2-0 frente aos guerreiros do Minho. Silva restabeleceu a igualdade no encontro e levou o jogo para prolongamento.

O Porto viria a perder o encontro e a assistir, desolado no relvado, à festa vermelha e branca. Por outro lado, ao fim de 120 minutos, mais penalties, os dragões tinham ganho um avançado para o futuro, com selo da casa.

“Não pode haver arrependimentos”, disse o selecionador aos portugueses, numa entrevista já depois da Taça. Fernando Santos admitiu que o jovem dragão estava entre as suas escolhas, mas quando este se dirigiu ao norte para assistir ao FC Porto - Sporting e não viu André Silva a entrar para dentro das quatro linhas pensou que se o jogador não estava pronto para um clássico, então também não estaria para o Campeonato da Europa de Futebol.

O que aconteceu a seguir todos sabemos. André Silva não foi e Éder foi o herói nacional.

Entretanto passou um ano e o jovem avançado afirmou-se como uma solução viável, quer para o seu clube, quer para a seleção. Ironia do destino, acabou mesmo por ‘roubar’ o lugar a Éder na convocatória para a Taça das Confederações.

Após uma boa época, quer de quinas, quer de dragão ao peito, e depois de uma transferência de quase 40 milhões de euros para o AC Milan, os holofotes estão todos apontados para o 'miúdo' que vai tentar provar o seu valor ao mesmo tempo que o gigante italiano se tenta reerguer, sempre sob a pesada herança dos enormes nomes que por ali passaram como Pippo Inzaghi ou Ronaldo.

O SAPO 24 reuniu os números que André Silva leva consigo na ponta da chuteira para o Giuseppe Meazza:

24


Em duas épocas - sendo que a primeira não foi completa - a jogar pela equipa principal do FC Porto, André Silva marcou, nada mais, nada menos, do que 24 golos em 58 jogos, em todas as competições. Só esta época marcou 21.

7

Numa posição em que a Seleção A tem mostrado algumas carências, o desempenho de André Silva no Porto valeu-lhe a chamada de Fernando Santos. E o 'menino' não podia ter respondido melhor: 8 internacionalizações e 7 golos.

0,88


Se formos a contas, o jovem português soma uma média de 0,88 golos por jogo na seleção. A melhor média de sempre de um jogador do FC Porto de quinas ao peito.

Os números não mentem, e o que fez na seleção não foi menor do que o que fez no campeonato nacional ao serviço da turma de Nuno Espírito Santo. Esta temporada foi o terceiro melhor marcador da Liga NOS, a par de Mitroglou. Do grupo de artilheiros portugueses da I liga, ele foi o melhor.


E o facto de ele ter sido o jogador de nacionalidade portuguesa com mais golos na Liga NOS transporta-o para outro lugar de um pódio imaginário: o segundo lugar. Nesse mesmo pódio o primeiro lugar é ocupado por Cristiano Ronaldo, e o terceiro posto por Orlando Sá. Sim, falamos da Bota de Ouro. André Silva foi o segundo português mais bem classificado na corrida ao troféu individual que premeia os melhores artilheiros. Só ficou atrás do melhor jogador do mundo.

8

Para além dos golos, as oito assistências esta temporada no FC Porto, em todas as competições, confirmam a sua vocação de segundo avançado. Marca e serve.

6

Voltemos às origens. André Silva representou o FC Porto durante 6 temporadas, sendo um dos últimos talentos mais 'gritantes' da formação azul e branca. Antes de chegar à principal equipa da Invicta, o jovem português repartiu a fase inicial da sua formação por três emblemas: Salgueiros, Boavista e Padroense.

38

Agora, após 6 épocas, o jovem avançado parte para o AC Milan a troco de uma verba de 38 milhões de euros (ME). Um valor que faz dele a terceira maior transferência do defeso, logo atrás de Bernardo Silva (50 ME) e de Ederson (40 ME).


Ninguém pode ficar indiferente a esta quantia, sobretudo quando olhamos para as maiores vendas do FC Porto e reparamos que André Silva salta diretamente para o quarto lugar, roubando o posto a Jackson Martínez (37,10 ME). Fica assim atrás de James Rodríguez (45 ME), de Hulk (40 ME) e de Falcao (40 ME).

A nível dos jogadores lusos, é o sexto português mais caro de sempre, atrás de nomes como Cristiano Ronaldo, Luís Figo, Bernardo Silva, Rui Costa e João Mário.

Se formos mais específicos, vemos que o jovem formado no FC Porto que é a segunda maior venda de um português diretamente a partir da I Liga nacional. À sua frente só o internacional português João Mário, em 2016 rumou de Alvalade para o Inter de Milão.

Com tudo acertado, é certo que André Silva será o terceiro português a ganhar a alcunha de rossonero, depois de Rui Costa e Paulo Futre terem também pisado o relvado do Giuseppe Meazza.