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Uma das siglas do mercado da China é “BAT” para Baidu, Alibaba ou Tencent. O Baidu é o Google na China, mas, na verdade, esta plataforma vai “seguindo” a evolução da marca americana sem fazer inovação. Talvez por isso o seu crescimento, mesmo dentro da China, não seja tão acelerado como o Alibaba ou Tencent.

Hoje foi dia de conhecer a Tencent, a empresa que gere o WeChat, a ferramenta sem a qual não se pode querer fazer negócio ou ter vida social na China. Para os ocidentais sem um cartão de crédito chinês, o WeChat apenas tem acesso a uma versão do WhatsApp para ligação com chineses, mas o mundo de serviços é gigante. Esta é uma ferramenta que é um verdadeiro monopólio de comunicação, arrisco-me a dizer que todos os chineses usam o WeChat.

Para os empresários portugueses há três coisas que podem fazer na preparação da viagem para a China:

1. Colocar QR Code do WeChat nos cartões da empresa;

2. Colocar nome pessoal, cargo e empresa em chinês simplificado numa das faces dos cartões de negócio;

3. Na conversação com interlocutores chineses usar o WeChat e email apenas para envio de documentação comercial e contratos.

No mundo ocidental o WhatsApp é usado nas relações informais, mas na China o WeChat é uma forma de comunicação comum, acima das questões formais ou informais. É como todos comunicam, ponto. Se enviamos um mail, mas não temos o contacto WeChat significa que ainda estamos numa relação “fria”.

Na visita à Tencent, uma vez mais ficamos impressionados com os dados analíticos, muito por força do tamanho do mercado, mas particularmente admirados com a visão do futuro. Uma das apostas da Tencent são os jogos e, por isso, a curto e médio prazo esta marca lançará muitos, tendo neste mercado o foco de crescimento para os próximos anos. Uma surpresa para mim, mas claramente um mercado cheio de potencial, que a Tencent explorou primeiro com a aquisição de “marcas” globais e agora com produção própria de jogos. Uma nova sede , mais um edifício incrível. Em Shenzhen  todas as grandes empresas têm edifícios colossais.

A visita à 3NOD uma empresa cujo foco presente é IoTn(internet of things) parecia um pouco fora do contexto, até chegarmos à porta e encontrarmos Richard Chiang, o empreendedor mais excêntrico da China. Americano por nascimento, mas com ascendência chinesa e hoje com residência permanente a Oriente, é uma estrela global. Um momento … inolvidável. Porquê? … nem sei como descrever, dava uma tese! Um empreendedor cujo primeiro trabalho foi ser polícia na Califórnia, foi baleado ao serviço, reformou-se devido aos ferimentos, criou pequenos negócios - todos falhados - na Califórnia e mudou-se para a China, onde lhe foi dada uma oportunidade para trabalhar para a marca 3NOD. Aí fez o caminho até ao topo, até hoje. E hoje … é um “boss!” que tem dois escritórios com presentes de estrelas globais da NBA, MTV, NFL, etc. Para a semana vai jantar com o pai de Justin Timberlake para fechar acordo de representação do artista para a Ásia - “just another day in the office”!

Como é que Richard se define? “I make shit happen!” Uma experiência memorável por vários motivos, primeiro porque onde tudo é tão formal, encontrar um chinês assim tão influente à escala global, com base na China e com uma história tão ocidental ficará certamente na nossa memória. Esta foi mais uma das experiências que valeu por toda a semana, que tem sido fantástica e ainda não chegou ao fim. E sobre a 3NOD? Sim, uma empresa também de tirar o fôlego, mas ainda estou a pensar no Richard e na sua história, desculpem!

O dia ainda não tinha acabado e estamos sentados a falar com investidores da China em que cada um gere fundos de mil milhões na China, milhões no Ocidente (em dólares e euros). Aprender o que procuram, seja para C2C (Copy to China) seja KFC (Kopy From China). Além disso, perceber como apresentar os temas, a quem, gerir a arrogância ocidental e a humildade asiática e perceber a justa medida dessa relação, bem como perceber porque habitualmente não funciona. Uma agenda não oficial do programa ao longo da semana tem sido perceber como fazer “lobby” na Ásia.

Num dia tão rico, um texto tão pequeno? Estou exausto! Aqui um programa intensivo, é mesmo intensivo, 8 da manhã às 8 da noite, e depois há que fazer os trabalhos de casa, debate entre alunos e  ainda tentar descansar gerindo jet lag e cansaço acumulado. Duas palavras são essenciais para sintetizar a fonte de energia: café e adrenalina.

Até breve.

Durante uma semana, Alexandre Pinto está a participar num programa para emprendedores promovido pela Cheung Kong Graduate School of Business. A viagem, o programa e a experiência vão ser relatados aqui no SAPO24 dia a dia.

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