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“Como é que pode ser admissível que uma agência financeira, uma agência de notação, como dizem, possa determinar se a nossa economia está no ‘lixo’ ou não está no ‘lixo’?”, questionou Jerónimo de Sousa, no decurso do jantar comemorativo do 96.º aniversário do PCP, que decorreu na Ribeira Brava, zona oeste da ilha, e reuniu cerca de 600 militantes.

Jerónimo de Sousa comentava, deste modo, o facto de a agência de notação financeira Standard & Poor’s (S&P) ter mantido hoje o ‘rating’ atribuído a Portugal em ‘BB+’, ou ‘lixo’, com perspetiva estável, mostrando-se preocupada com os riscos da banca e o elevado endividamento público e privado.

“Então, nós somos um país e um povo soberano, podemos admitir que uma agência financeira diga se estamos bem ou se estamos mal?”, indagou o secretário-geral do PCP, vincando que “quem tem de ver isso e quem tem de afirmar é o povo português”.

“É o nosso país e não essa agência de notação”, vincou o líder comunista.

Jerónimo de Sousa recordou, por outro lado, a “alteração de forças” ocorrida nas últimas eleições legislativas, que conduziu o PS ao Governo da República, com apoio parlamentar do PCP e do BE.

“É preciso continuar esta política de reposição, conquista de direitos e rendimentos”, disse, salientando, porém, que “os avanços verificados correm o risco de conhecerem retrocessos”, designadamente em relação aos direitos dos trabalhadores.

Por isso, Jerónimo de Sousa afirmou que, se o PS de António Costa, não corresponder com “medidas e ações concretas” poderá perder o apoio do PCP.

“Nós queremos lembrar e repetir que o primeiro e o principal compromisso deste Partido Comunista Português é com os trabalhadores e com o povo e não com o Governo ou outra qualquer instituição”, vincou.

O secretário-geral do PCP anunciou, por outro lado, que o partido vai concorrer coligado com Os Verdes (CDU) em todos os municípios e freguesias “sem exceção” nas próximas eleições autárquicas previstas para outubro deste ano.