Taur Matan Ruak reagiu assim a perguntas da Lusa sobre se a anunciada coligação das forças da oposição - Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), Partido Libertação Popular (PLP) e Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO) - tinha a sua bênção.

"O meu partido tem luz verde desde que não viole as regras constitucionais. De resto, desde que esteja de acordo com a Constituição, eles têm orientações para agir e concertar posições", afirmou.

Maioritária no Parlamento de 65 lugares (controla 35), a oposição escreveu na semana passada ao chefe de Estado timorense, Francisco Guterres Lu-Olo, a dizer que está preparada para ser alternativa de Governo se o programa do Executivo, que é debatido na próxima semana, for chumbado.

Questionado sobre se o PLP pode ainda vir a apoiar o texto, Taur Matan Ruak recusou especular sobre "a posição do partido, sem estudar profundamente qual é o programa", que foi entregue na terça-feira no Parlamento Nacional.

O anúncio do bloco de coligação surpreendeu quer pelo facto do líder do CNRT, Xanana Gusmão, ter repetidamente garantido que o partido não faria parte de qualquer coligação de Governo, quer pela tensão que tem marcado a relação entre Xanana Gusmão (presidente do CNRT) e Taur Matan Ruak, depois deste ter comparado o líder histórico ao ditador indonésio Suharto.

A campanha do PLP para as eleições legislativas ficou ainda marcada pela forte contestação à governação e políticas do CNRT, em particular no que toca às prioridades, com críticas à aposta em grandes projetos, posição que Taur Matan Ruak reiterou agora.

Taur recordou que o seu partido tem "uma política clara, contra a concentração de poderes, de recursos e de privilégios, defende a descentralização de competências e que o desenvolvimento económico tem que ser equilibrado territorialmente", dando "prioridade às necessidades básicas da população em vez de a grandes projetos com retorno duvidoso".

Um desses projetos é Tasi Mane, na costa sul, associado ao setor petrolífero e avaliado em centenas de milhões de dólares, que o atual executivo quer ver liderado por Xanana Gusmão, através de uma nova Alta Autoridade anunciada no Programa de Governo.

Questionado sobre essas críticas, Taur Matan Ruak disse que não criticou apenas o CNRT "mas também a Fretilin" [Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente] e garantiu que a tensão entre os dois partidos (CNRT E PLP) são "águas passadas que não moem moinhos".

"Trabalhei com Xanana muitos anos e ele não é meu inimigo, nem inimigo do meu povo", afirmou.

Questionado pela Lusa sobre se falou com Xanana Gusmão recentemente, Taur Matan Ruak disse que falou "ao telefone", escusando-se a precisar quando ocorreu esse diálogo.

"Nós falámos ao telefone. Manifestei-lhe a minha preocupação pela fragilidade, e inconsistência da posição da Fretilin, ora coligação, ora inclusão, ora incidência parlamentar, e pôr-nos aos outros partidos a dançar no meio", afirmou.

Taur Matan Ruak recusou-se a comentar sobre a constitucionalidade da formação do Governo, numa altura em que há interpretações diferentes sobre dois artigos da Constituição no que toca à necessidade do Governo ser ou não maioritário.

"A Fretilin Governo é facto consumado. Agora temos que ver o que a Constituição exige para programa e orçamento", disse.

O ex-chefe de Estado recusou-se igualmente a dizer que solução preferia, em caso de queda do Governo, uma nova aliança de maioria parlamentar, com os 35 deputados da oposição, ou eleições antecipadas que só podem ser marcadas para depois de janeiro.

"O senhor Presidente da República tem o poder para decidir. Não sou eu que vou ditar o que deve fzaer. Na devida altura direi a minha posição. Agora não quero especular", afirmou.

Taur Matan Ruak deixou ainda um apelo à população para "continuar calma e a acompanhar a evolução da situação", afirmando que o PLP insiste que qualquer "movimentação política não pode violar as regras da Constituição ou a lei".

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