Num país onde os gastos públicos são o principal motor económico, o Banco Mundial (BM) prevê o regresso do crescimento em 2018 depois de este ano a "volatilidade do gasto do Governo devido às eleições ter contribuído para reduzir o crescimento".

O relatório do BM sobre a situação económica no leste da Ásia e no Pacífico indica que o crescimento do PIB em Timor-Leste deverá ser este ano de 2,4%, uma queda acentuada relativamente aos 5,7% de 2016, sendo de notar a queda "abrupta" em gastos de capital.

Timor-Leste realizou eleições presidenciais em março e legislativas em julho.

"Espera-se que o crescimento acelere para 4,2% em 2018, algo abaixo da projeção de abril, devido à incerteza sobre o programa económico que o novo Governo apresentará", refere o relatório.

O documento mostra alguma preocupação sobre o nível de crédito malparado em Timor-Leste, que fixa em 15,3% do total em 2016 - é o valor mais alto de economias de ilhas desta região - ainda que isso represente uma queda de 50% em apenas quatro anos, quando era de 30,8%.

Em termos de preços, a análise do BM nota a contração em 2015 e 2016 devido à redução dos preços do barril de petróleo, que desde então têm vindo a "aumentar lentamente".

O Banco Mundial prevê ainda que o crescimento do consumo privado - "indicador essencial relacionado com o ritmo da redução da pobreza - seja "mais reduzido em 2017 do que em anos anteriores".

Globalmente, o relatório nota que Timor-Leste é um dos países da região onde "a pobreza extrema afeta uma percentagem relativamente elevada da população", o que exige medidas que favoreçam o "crescimento inclusivo".

O BM assinala que "a pobreza em Timor-Leste diminuiu desde 2007", de 50% para 42%, caindo ainda mais se for usado o indicador internacional de pobreza (1,9 dólares norte-americanos por dia), com base no qual caiu de 46,8 para 30,3%.

"Essas reduções na pobreza foram acompanhadas de outras melhorias no padrão de vida, incluindo aumentos no acesso à eletricidade, qualidade de habitação e propriedade de ativos", nota.

No capítulo dedicado a Timor-Leste, o documento refere que apesar de "alguns sinais de crescimento no setor privado, particularmente nos setores não comerciais e no turismo", ainda "está por ver-se se este crescimento pode ser sustentado, podendo depender da eficácia do programa económico do novo Governo".

O BM nota que o consumo público cresceu 5,7% em 2016, caindo este ano, com os indicadores de consumo privado a serem positivos: registos de carros aumentaram 8% e o número de visitantes estrangeiros aumentou 6,6%, o que contribuiu para um crescimento do consumo privado de 4,2%.

O setor petrolífero continua em queda, com a produção a dimimuir 8% em 2016 e 16% no primeiro trimestre deste ano.

As contas públicas "passaram de um grande excedente em 2014 e anos anteriores para um défice de 14,7 por cento em 2015, e de 29,8 por cento do PIB não petrolífero em 2016".

As receitas do petróleo diminuíram, com as receitas governamentais totais a caírem de 190% do PIB em 2014 para 80% em 2015 e 72% em 2016.

O saldo do Fundo Petrolífero, que era de 16,5 mil milhões de dólares norte-americanos (cerca de 14 mil milhões de euros) no final de 2014, passou para 15,8 mil milhões de dólares no final do ano passado, com a dívida pública a ser "relativamente baixa, de 3,9 por cento do PIB, ou cerca de 66 milhões de dólares no final de 2016".

Em 2016, as receitas domésticas não petrolíferas foram ligeiramente mais elevadas, fixadas em 11,9% do PIB não petrolífero, mas voltaram a cair este ano. As exportações de café atingiram as 29 mil toneladas em 2016, mais 20%.

O crédito ao setor privado esteve estagnado nos últimos dois anos, recuando 1,8 por cento em 2016, com uma ligeira recuperação de 2,8% no primeiro trimestre de 2017, em termos homólogos.

O relatório indica a existência de sinais de alguns investimentos "robustos" para os próximos anos, mas nota os riscos associados à queda da produção petrolífera pelo que insiste na "difícil tarefa de diversificação a economia e a melhoria dos serviços públicos que são necessários para derrubar os alarmantes altos níveis de pobreza".

As debilidades nos quadros legislativos e na capacidade institucional em áreas de propriedade económica e justiça comercial e a necessidade de maior mobilização de receitas públicas são outros dos desafios apontados.

ASP // EJ

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