O diretor do departamento especial da polícia, Mohamad Fuzi Harun, disse que o caso era complicado e limitou-se a garantir que continuam as investigações, em declarações à agência Bernama.

O mesmo polícia disse na véspera que "não se pode descartar nenhuma possibilidade" em relação à autoria do assassinato, enquanto o vice-primeiro-ministro do país, Zahid Hamidi, classificou de "especulação" que o regime norte-coreano esteja por detrás da morte.

Duas mulheres, uma indonésia e uma vietnamita, permanecem detidas como suspeitas do crime, enquanto um cidadão da Malásia, identificado como Muhammad Farid e alegado namorado da indonésia, permanece sob custódia policial no âmbito da investigação.

O subdiretor geral da polícia, Rashid Ibrahim, disse que deverão ser realizadas mais detenções em conexão com o incidente.

Segundo a imprensa local, as empresas procuram outros quatro homens que tinham reunido com as suspeitas antes do crime e que estão em paradeiro desconhecido.

A Embaixada da Indonésia confirmou a cidadania da suspeita identificada como Siti Aishah, nascida a 11 de fevereiro de 1992, e solicitou acesso para oferecer assistência jurídica à detida.

As autoridades forenses realizaram na quarta-feira a autópsia do cadáver, mas não revelaram a causa da morte.

O vice-primeiro-ministro malaio disse que os restos mortais de Kim Jong-nam serão entregues às autoridades da Coreia do Norte quando for concluída a investigação do caso, sem avançar uma data.

O chefe da polícia do estado de Selangor disse à AFP que a Malásia não vai entregar o corpo do meio-irmão do líder da Coreia do Norte até a família fornecer uma amostra de DNA, apesar do pedido Pyongyang.

"Até agora nenhum familiar ou pessoa próxima de Kim apareceu para identificar ou reclamar o corpo. Precisamos de uma amostra de ADN de um membro da família para estabelecer o perfil da pessoa morta", disse Abdul Samah Mat.

Kim Jong-nam, filho mais velho do falecido líder da Coreia do Norte Kim Jong-Il, que estaria a aguardar um voo para Macau, foi assassinado na segunda-feira no aeroporto de Kuala Lumpur, capital da Malásia, alegadamente por duas mulheres em ainda envoltas em mistério.

O corpo de Kim Jong-nam encontra-se desde quarta-feira no Hospital Geral de Kuala Lumpur para a realização da autópsia, mas ainda não foram divulgadas publicamente informações, nomeadamente sobre as causas da morte do meio-irmão de Kim Jong-un.

As autoridades malaias identificaram a vítima como Kim Chol, nascido em Pyongyang em junho de 1970, conforme os documentos de viagem encontrados na sua posse.

Não obstante, a Coreia do Sul adiantou depois ter a certeza de que se tratava de Kim Jong-nam e hoje foi a vez da Malásia, onde morreu, confirmar que se trata então do meio-irmão mais velho do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un.

Kim Jong-nam era o filho primogénito do ditador norte-coreano Kim Jong-il e da sua primeira concubina, a atriz Song Hye-rim.

Até ao início do século XXI era considerado o provável sucessor do pai, que morreu em 2011.

Em 2001, no entanto, foi detido no aeroporto de Tóquio com um passaporte falso com o qual alegadamente queria visitar um parque Disney no Japão.

Emigrou para a China em 1995 e vivia desde então entre Pequim e Macau.

O assassínio, ocorrido nas vésperas das celebrações do nascimento do "Querido Líder" Kim Jong-il, que decorrem hoje na Coreia do Norte, foi descrito pela Coreia do Sul como prova da "brutalidade e natureza desumana" do regime de Pyongyang.

As autoridades da Malásia detiveram três suspeitos pelo envolvimento no assassínio.

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