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"Dois linces, um macho e uma fêmea, oriundos do Centro Nacional de Reprodução em Cativeiro em Silves, iniciam a sua vida em meio natural na área do Vale do Guadiana", refere uma informação do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF).

Até março, acrescenta, serão libertados oito linces no concelho de Mértola, todos nascidos em cativeiro, há quase um ano, nos cinco centros existentes na Península Ibérica.

Em Espanha, nas comunidades autónomas de Extremadura, Castilha - La Mancha e Andaluzia, também já se iniciaram as ações de soltar animais que o Programa de Reprodução em Cativeiro produziu para serem libertados na natureza.

Estas ações estão integradas no projeto Recuperação da Distribuição Histórica do Lince Ibérico (Lynx pardinus) em Espanha e Portugal para recuperar uma espécie que está ameaçada.

Noudar e Niassa são os primeiros animais a ser libertados este ano, "reforçando a viabilidade do núcleo de linces do concelho de Mértola", refere o ICNF.

O instituto explica que estes linces, ao contrário dos seus progenitores fundadores do programa de reprodução em cativeiro, não tiveram contacto direto com humanos e possuem um comportamento selvagem.

A equipa de técnicos e tratadores em Silves acompanhou o seu nascimento e evolução indiretamente, ou seja, através de um sistema de câmaras de videovigilância, e avaliou as suas capacidades com base na experiência de mais de cinco anos de observação contínua de linces e crias.

Foi definido um protocolo estabelecido no programa ibérico para fornecer coelhos bravos, principal alimento dos linces, de modo a que façam a sua aprendizagem de caça e possam sobreviver na natureza.

Desde 2015, foram libertados 17 animais no Vale do Guadiana, dos quais 12 (Macela, Jacarandá, Mel, Luso, Katmandu, Mesquita, Lagunilla, Mistral, Malva, Liberdade, Mirandilla e Moreira) possuem já territórios estabilizados na área do Sítio Rede Natura 2000 Guadiana, segundo o ICNF.

Estes animais são monitorizados por uma equipa no terreno através de seguimento rádio e GSM ou de foto-armadilhagem.

No início do projeto, para o primeiro casal e outros quatro animais que iniciaram o processo de reintrodução em 2014 e 2015, foi usado um cercado de adaptação necessário para os fixar e fidelizar à zona.

Atualmente, o procedimento é libertar linces em novas zonas, pois já existem outros residentes que vão estimular os novos indivíduos recém-chegados a estabelecer o seu território independente.

Os locais onde são soltos, no vale do Guadiana, são escolhidos com a colaboração de proprietários e com base nos resultados dos censos sazonais de coelho-bravo realizados por técnicos, vigilantes da natureza e pessoal das zonas de caça.

O projeto para a recuperação do lince ibérico, que decorre até 2018, é cofinanciado pela Comissão Europeia e reúne 22 parceiros dos quais cinco são portugueses - o ICNF, a Associação Iberlinx, a EDIA, a Infraestruturas de Portugal e a Câmara Municipal de Moura.

EA // PMC

Lusa/Fim