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E esta conversa vem a propósito de quê? Rentes de Carvalho, autor que ganhou ontem o prémio de Literatura da Sociedade Portuguesa de Autores, afirmou há dias que é apoiante de Geert Wilders. Mora na Holanda e, portanto, sente que a linha política de extrema-direita é que está de acordo com o que sente e defende. As eleições na Holanda não deram a vitória a essas ideias de xenofobia e de discriminação racial, dirão alguns. Bom, o vencedor incontestado foi Mark Rutte, primeiro ministro desde 2010, do partido liberal. Conseguiu 33 deputados. Wilders chegou aos 20 deputados e é o segundo vencedor desta eleição, já que os restantes partidos ficaram com menos deputados (19 para os cristão democratas e outros 19 para o D66).

Rutte terá de pensar numa coligação para construir uma maioria forte que possa combater os 20 eleitos de extrema-direita. Importa que o faça. Rentes de Carvalho deve ter ficado feliz com o prémio da SPA e ainda com o resultado das eleições.

Não creio que os vizinhos do escritor desconheçam as suas declarações e, caso exista essa coisa banal de uma aflição caseira, pode ser que as mesmas frases xenófobas se virem contra Rentes de Carvalho. Pode ser que ninguém lhe empreste sal, ou um extintor para apagar um fogo. Porque ter vizinhos árabes, caramba, é uma chatice. Uma pessoa sente-se pouco segura. Agora imaginem o nosso premiado autor a escrever e a sentir o cheiro da tagine de frango com amêndoas a subir pelos ares, o cheiro (aroma, odor) maravilhoso vindo do andar de baixo. Não, não terá sorte, ninguém lhe oferecerá nada. Nem restos.

E há pessoas que — apesar de prémios — por causa de declarações xenófobas, optarão por ler outros autores, porque, afinal, há tantos para ler. E, já agora, podemos ler quem tenha talento e não seja parvo, racista, xenófobo, populista etc, etc, etc. Eu não tenho idade ou tempo a perder para contemporizar com pessoas que estão contra as ideias básicas definidas nas Declarações dos Direitos Humanos. Sim, cada um pode dizer o que quiser, pode escrever o que quiser, mas em sociedade não podemos viver como queremos. Se o desejamos fazer, pois talvez seja aconselhável optar por ser eremita.

Aconselho J. Rentes de Carvalho a procurar um monte elevado e sem população que o incomode.