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Uma das produções mais badaladas da última década, a Operação Marquês, uma trama de amor e ódio, twists e pontas soltas que não deixam nenhum apreciador de thrillers indiferente, chega agora ao momento da verdade. Uma narrativa que arrancou de forma promissora, acutilante e disruptiva em Novembro de 2014, mas que se foi tornando previsível, pachorrenta, estéril, com reviravoltas óbvias e melodrama em excesso nas temporadas subsequentes. Os admiradores de legal drama ficarão completamente desapontados se a sua lealdade para com a série não for recompensada com um series finale não menos que arrebatador.

Um dos trabalhos mais exigentes dos estúdios Ministério Público, Operação Marquês, que mistura o realismo cruel de “The Wire” com o cinismo de “Homeland” e a wittiness nos diálogos das primeiras temporadas de “Suits”, defende agora a sua honra. Agora é a doer, porque os fãs estão fartos de reposições, de ler as fanzines do Correio da Manhã ou o Twitter de Fernanda Câncio, e exigem episódios que os deixem sem respiração.

A personagem José Sócrates tentará enfrentar o enorme desgaste que tem vindo a sofrer e Carlos Alexandre procurará distanciar-se do papel de comic relief que adquiriu com a entrevistas que concedeu. Não se pode dizer que a expectativa seja baixa: a produção fez all in com a entrada do Grupo Espírito Santo em cena e Ricardo Salgado promete ser uma das personagens em evidência nos próximos episódios. Por outro lado, Salgado é aquele típico ator que participa em demasiadas séries com papéis semelhantes, deixando-nos na dúvida se existe ali mesmo uma construção de personagem específica ou se apenas está a fazer dele próprio – é esperar para ver.

Para esta temporada, os guionistas decidiram – e bem – “matar” a personagem Rui Rangel, que já se vinda revelando extremamente tóxica. Zeinal Bava aparece também agora para conceder algum equilíbrio racial ao enredo, após a pressão do mediático processo da Associação de Defesa dos Indivíduos Caucasianos junto da ERC, no qual se acusa a série de estereotipar injustamente o homem branco como corrupto. Esperemos que os produtores não insistam nos erros do passado, como o ridículo teatrinho de product placement aquando do regresso de José Sócrates a casa, em que nos foi impingido um semi-anúncio à Telepizza. Numa série em que a burocracia amiúde engole as emoções, seria também interessante que se densificasse o affair romântico entre o advogado João Araújo e a repórter Tânia Laranjo – porque no tráfico de influências o amor também influi.

Em todo o caso, parece-nos que esta quarta temporada, com a tagline “Agora com provas robustas”, promete deixar os portugueses ligados à CMTV. Alguns céticos ainda temem o arquivamento da série, o que seria trágico para os estúdios Ministério Público. A equipa de guionistas liderada por Rosário Teixeira não se livraria de um mau bocado com a produtora-executiva Joana Marques Vidal. Mas confiemos na competência deste drama de produção nacional: pior do que um país corrupto, só um país corrupto com finais felizes.

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