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À saída do supermercado percebes tratar-se de uma cerimónia especial. Há música, há mulheres bonitas com bandejas e copos altos, há uma fila de pessoas com convites, um ecrã gigante, uma passadeira vermelha e pessoas que estão a chegar vestidas a rigor, como na na noite de 31 de Dezembro. Olhas melhor e percebes que as Amoreiras se aperaltaram para a cerimónia de entrega dos Óscares. É nesse momento que aceleras o passo para saíres dali rapidamente e voltares ao teu lânguido Domingo. Mas não consegues deixar de pensar na razão que leva alguém  a aperaltar-se a um domingo à noite para assistir a uma entrega de prémios que acontece do outro lado do mundo, nas Amoreiras. A MO REI RAS...

A seguir pensas que és arrogante e não deverias pensar assim, porque uma festa é sempre uma festa e que não tem mal nenhum as pessoas reunirem-se para se divertirem. Depois recordas-te que a festa supõe um convite e não consegues evitar pensar em quem convidou quem e porquê. Que marcas? Que organização? Para quê? Quem é que aceita sair do seu conforto a um Domingo à noite para comer croquetes e beber sabe-se lá o quê, aceitar um dress code que implica seguramente muito mais do que apetece neste dia da semana para ficar horas - repito, horas - acordado, para ver algo que se pode ver na televisão lá de casa e adormecer se - e quando - apetecer, com uma manta a aquecer as pernas. Não?

Falta glamour a isto? Que glamour pode haver numa pseudo-festa? Será esta a nova meca do cinema e ninguém me avisou?

Felizmente não sou a única a pensar assim. É interessante verificar que antes de escrever uma palavra já alguém tinha expressado tudo o que pensei durante o tempo que levei a voltar a casa. Ao meu sofá. Quente e confortável. Não fui para a cama chorar, fui para a cama dormir.

Dormir tem destas coisas: por vezes perdemos o melhor da festa. E não, não estou a referir-me à festa cheia de gente gira nas Amoreiras. Em Hollywood a noite foi para lá de interessante. Ganharam todos os que poderiam deixar Mr. Trump irritado (hail to that) e encontraram uma forma da cerimónia ser a notícia do dia seguinte. Não apenas pelos vencedores mas por se enganarem no anúncio do melhor filme. Onde é que isto acontece?!

Ao que parece, apesar do suposto sistema infalível, com processos revistos mais do que uma vez, correu mal. Beatty quase faleceu em palco enquanto Faye Dunaway continuava como se nada se passasse. Não passou. Foi apenas uma troca de envelope porque a melhor actriz foi Emma Stone em La La Land. Como? No entretanto, o Óscar para melhor filme aterrou numa outra Land chamada Moonlight. Viola Davis confirmou as expectativas (melhor actriz secundária em Fences) e o melhor actor secundário, Mahershala Ali, tornou-se no primeiro muçulmano a vencer. Vitória ou política?

Poderia a mensagem política dos Óscares ir mais longe? Foi. O melhor filme estrangeiro é de origem iraniana (The Salesman) e Zootopia (que tem como base uma sociedade onde todas as espécies de animais se dão bem - presas e predadores) também venceu. Ashgar Farhadi, o realizador de The Salesman, ganhou o seu segundo Óscar. Decidiu não participar, em honra aos que agora estão impedidos de entrar nos Estados Unidos, enviando em sua representação duas figuras proeminentes de origem iraniano-americana: Firouz Naderi (director na NASA) e Anousheh Ansari, a astronauta que leu o seu discurso. Melhor documentário para White Helmets, um documentário sobre os capacetes brancos que estão na Síria. Na lapela de muitos artistas, laços azuis, para apoiar a ACLU, American Civil Liberties Union, ou seja, uma organização nacional sem fins lucrativos de apoio aos direitos e liberdades individuais nos E. U. A.

From where I stand... Só vejo um grande perdedor e uns quantos pequenos losers que perderam uma belíssima noite no sofá.