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Há um lado sádico nisto tudo. É o fiel amigo mas, depois, há mil maneiras de cozinhar o fiel amigo. Dizemos com orgulho que temos mil maneiras de cozinhar uma espécie. Já imaginaram a angústia que deve ir na cabeça de um bacalhau?  Não dá para escolher se prefere ser enterrado ou cremado. Tem de pensar se será com todos, ou com natas, etc. Deve ser chato ter de deixar escrito: “Quando morrer quero uma cerimónia simples, à Gomes de Sá. Não me façam aquela coisa do gratinado com natas que eu sou lacto-intolerante.”

Agora, que o Natal está despachado é só fingir que trabalhamos alguma coisa, durante estes cinco dias, e siga para a festa da passagem de ano.

Confesso que a passagem de ano irrita-me.

Para começar a passagem de ano em Portugal é um bocado como quando sai um novo iPhone: somos dos últimos a ter. Por isso, lamento mas não me diz nada. Se eu vivesse na Austrália, onde a passagem de ano é quase a estrear, ainda a cheirar a novo, até alinhava. Agora, nós, do outro lado do mundo, temos que levar com uma passagem de ano já usada por milhões de pessoas, com costumes higiénicos bem diferentes dos nossos. Não se justifica.

A minha comemoração do réveillon (palavra francesa usada pelos  hotéis para terem uma desculpa para nessa noite tudo ser tão caro) consiste em ver a passagem de ano na Austrália, nas notícias da hora de almoço, e está feito. Vejo a Ópera de Sidney, com o magnífico fogo-de-artifício, bato com duas tampas de tachos e vou almoçar. Não contem comigo para andar à meia-noite a meter turmas de passas à boca, quando os australianos já estão encharcados em Gurosan. Por isso, quando me perguntam: “Mas porque raio é que não vais fazer passagem de ano?!” Respondo: “Porque já foi feito. Já fizeram na Nova Zelândia e ficou muita bom.”

O meu sonho era passar o dia a andar de avião a jacto, à roda do mundo, para evitar passar a meia-noite. Sempre a dar à sola quando fossem onze.  Para, depois, quando chegasse ao escritório e perguntassem  – “Onde é que passaste a meia-noite?” Poder dizer – “Não passei.” – “Passaste em casa?”– “Não, não passei a meia-noite, ponto.”

Outro flagelo desta data são as resoluções, vulgo, promessas de ano novo. Não contem comigo. Tomar resoluções de ano novo é próprio de pessoas com defeito. Façam vocês a vossa lista mas não façam o que costumam fazer. A maior parte das vezes, estas resoluções de passagem de ano são um bocado como aquelas pessoas a quem perguntamos um defeito, e a resposta é: “sou demasiado honesta”.  Ou “sou muito perfeccionista.”

Nas resoluções de ano novo passa-se o mesmo. Com tanta coisa que precisavam mesmo de mudar na vida e, normalmente, optam por decisões do género: “Prometo que para o ano vou começar a correr”. Quando a promessa correta seria: “Prometo que para o ano não vou comer sandes de banha, com sopa de torresmos e batido de leitão ao pequeno-almoço.” Ou um vulgar: “Prometo que para o ano vou passar mais tempo com os miúdos”. Quando a resolução, séria, teria de ser: “Prometo que para o ano deixo de sustentar aquelas gémeas eslavas”.

Deixem-se de fitas. Vão diretos ao assunto. Se querem mesmo mudar cenas porque acham que estão com defeito, não aproveitem as resoluções de ano novo para retoques nos rodapés que, honestamente, ninguém nota. Deitem a casa abaixo!

Sugestões de João Quadros

Um filme para 2017 - O regresso da minha saga favorita, “Alien” (de novo pela mão do mestre  Ridley Scott) -  e já há trailer para "Alien Covenant Red Band".

A notícia -  A morte de George Michael, num ano em que a página da necrologia teve, claramente, o melhor cartaz de concertos. Fica a versão ao vivo de uma das minhas músicas preferidas - "Song To The Siren", Hannover, 19 de Outubro de 2011.

E ainda, o livro que me ofereceram no Natal (juntamente com um par de meias medicinais) -  “M Train” de Patti Smith - uma obra-prima publicada pela editora Quetzal.