Na sessão inaugural dos TECHDAYS, a conferência que conjuga tecnologia, inovação, investigação e empreendedorismo durante três dias no centro de exposições de Aveiro, Alexandre Fonseca, Gestor Executivo da Altice LABS, subiu ao palco principal para anunciar que depois de vários projetos da Altice LABS espalhados pelo mundo - de França a Israel, passando pelos Estados Unidos - , a unidade de Investigação e Desenvolvimento para Grupo Altice, com base em Portugal, vai espalhar-se pelo território nacional com Viseu, Algarve e Madeira a receberem centros cooperativos.

Numa altura em que 250 milhões de pessoas em mais 35 países comunicam com recurso à tecnologia criada e desenvolvida em Aveiro, Alexandre Fonseca explicou ao SAPO 24 que a criação destes novos pólos terá por base “um trabalho em rede” com o ‘quartel-general’ de Aveiro; e com os demais projetos espalhados pelo mundo. “Vai ser também a possibilidade de nós trabalharmos de forma bidirecional, ao levarmos o projeto Altice LABS para essas regiões, uma marca forte, uma capacidade de investigação e de liderança forte na área da tecnologia. E por outro lado, no sentido inverso, também sermos capazes de levar investimento e de perceber qual é o talento, quais são os jovens, os projetos, quais são as startups que existem nessas regiões. Beber um pouco desse know how
explica-nos.

“As pessoas são o fator diferenciador. Inovar não é ter ideias. Ideias todos temos. Inovar é criar algo”

“Altice LABS é sinónimo de ADN de inovação”, disse o gestor em cima do palco. Mas esse ADN não nasce sozinho, conta-nos. “Temos que ser humildes ao ponto de perceber que temos muito para dar, mas também temos muito para receber e, portanto, vamos para essas regiões no sentido de percebermos o que é que também nos podem oferecer em termos de capital intelectual e de projetos e depois a partir daí integrá-los na nossa rede”, esclarece Alexandre Fonseca.

No entanto, só dentro de cerca de um mês e meio é que serão anunciadas, formalmente, as mecânicas subjacentes a estes laboratórios colaborativos. “É um projeto que já começou, porque o primeiro protocolo foi assinado no mês de julho em Viseu, mas vamos com certeza agora dar muito mais informação ao mercado e vamos explicar, efetivamente, os grandes objetivos desta iniciativa”, clarificou o responsável da Altice LABS.

“O investimento tem que ser feito pelo mundo privado, temos que ser capazes de moldar aquilo que são as políticas de educação”

Para Alexandre Fonseca aproveitar as pessoas, sobretudo entre os portugueses, onde, segundo o próprio, “temos muitos profissionais altamente qualificados, engenheiros que nos enchem de orgulho e que são do melhor que há no mundo”, é a melhor fonte de enriquecimento da Altice LABS. Sem investigação e sem apoios à investigação, algo que influencia tão diretamente uma cidade como a de Aveiro, isso não seria possível.

créditos: Pedro Marques | MadreMedia

“A investigação em Portugal é apoiada e acho que nós fizemos uma transformação muito significativa naquilo que toca ao sistema de educação, nomeadamente nas áreas tecnológicas. O investimento tem que ser feito pelo mundo privado, pelas empresas, temos que de facto sermos capazes de moldar aquilo que são as políticas de educação e nesse aspeto acho que está a ser feito um bom trabalho.

Há passos para dar, claro, afirma, mas, diz-nos, quando “estas políticas forem implementadas, temos de ser capazes de beber desse capital humano que veio das universidades portuguesas, altamente qualificado e obviamente, colocá-lo em projetos relevantes em Portugal e no mundo e acho que esse é um trabalho que está a ser bem feito”.