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"O mercado chinês é um mercado muito interessante. Acontece, no entanto, que os temas dos meus livros não são temas que passem bem para a censura", disse o escritor à agência Lusa.

"Eu toco muito em questões de religião, que é um tema muito complicado para os editores chineses", acrescentou.

O autor considerou ainda que "faria todo o sentido publicar na China" a chamada "Trilogia de lótus" - as obras "Flor de Lótus", "O Pavilhão Púrpura" e "Reino do Meio" -, mas que esta "toca em situações muito delicadas do ponto de vista político".

"Já me foi dito isso mesmo: há interesse, mas isso nunca passará pela censura", disse.

Desde que ascendeu ao poder, em 2012, o Presidente chinês, Xi Jinping, apelou em várias ocasiões aos escritores e artistas chineses para obedecerem aos "valores socialistas", nas suas criações.

Académicos e intelectuais do país têm também estado sob crescente pressão para aderir às interpretações oficiais do Partido Comunista, em questões de natureza histórica.

Na sua primeira deslocação à China "profunda", o autor português, que já viveu em Macau, desvendou ainda o processo de criação de uma personagem chinesa para o livro "Flor de Lótus".

"Quando estou a falar de uma cultura muito diferente, como é a chinesa, esforço-me por submeter o texto a pessoas que conhecem muito bem a cultura, que identificam alguns problemas que ali estão e me obrigam a pesquisar", disse.

À semelhança dos seus outros romances, as obras que compõem a "Trilogia de Lótus" são alicerçadas em factos históricos e centradas no século XX, um período que o jornalista considera "muito interessante", por ser de "conflitos de ideologias".

José Rodrigues dos Santos admite existir um "paralelismo com a situação atual", mas rejeita que isso tenha influenciado a sua opção.

"Há pessoas que pensam que eu toquei neste tema por causa do momento que vivemos, mas não tem nada a ver. É uma coincidência, mas de facto existe", afirmou.

Sobre o modelo político da China, o escritor classificou-o de "muito ‘sui generis’".

"É o capitalismo de partido único, fingido que é comunista", afirmou. "É um modelo nesse sentido inovador, mas que permanece um pouco impenetrável, para a compreensão, a forma como as pessoas se relacionam com ele".

"O seu discurso não é um discurso ideológico, é um discurso muito pragmático", disse.

Segunda maior economia mundial, a seguir aos Estados Unidos da América, a China é governada desde 1949 pelo Partido Comunista Chinês.

José Rodrigues dos Santos falava à margem de um encontro com alunos da licenciatura em português da Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim (Beiwai).

Mais de 1.500 estudantes chineses estão a frequentar licenciaturas em português, em 26 universidades da China continental.

No final da década de 1990, não contando com Macau, apenas duas universidades chinesas tinham licenciaturas em português.