Para quem não conhece, este concelho localiza-se no extremo Este do distrito de Braga, na fronteira entre Minho e Trás-os-Montes, com o rio Tâmega a marcar essa divisão. Cabeceiras de Basto distingue-se de outros concelhos do Minho pela sua dupla identidade marcada pela orografia: uma no Sul, de cotas menos elevadas, tipicamente minhota, um território mais urbanizado e desenvolvido, distinguido pelo povoamento disperso, pontuado por casas solarengas e uma imensa paisagem agrícola marcada pela vinha; a outra a Norte: em zona de montanha, tipicamente transmontana, mais pobre e pouco povoada, caracterizada pelo povoamento concentrado e em seu redor, os lameiros de regadio.

Na globalidade do concelho existe uma grande variedade de recursos de interesse natural e cultural, mas na minha opinião, é no norte em plena Serra da Cabreira, que está o grande valor desta terra: as aldeias de montanha!

Obviamente, quando falo das aldeias, não me esqueço do território que as envolve, seja espaço florestal ou agrícola.

Podia escrever vários artigos sobre cada uma delas, mas vou fazer uma escolha sintetizada das minhas seis aldeias favoritas, na esperança que estas se tornem num motivo de visita para os leitores e fãs do Espírito Viajante.

Iremos fazer uma pequena viagem pelas aldeias da serra da Cabreira onde vamos ver espigueiros, capelas, cruzeiros, casas de lavrador, paisagens agrícolas… enfim, motivos mais que suficientes para vires descobrir a minha terra.

Vamos lá saber quais as 6 aldeias para ver em Cabeceiras de Basto?

Carrazedo, Bucos

Em 1938 esteve perto de ganhar o Galo de Prata no concurso da “Aldeia mais portuguesa de Portugal“. Trata-se de uma aldeia que ainda conserva um bom núcleo de casas com a traça original, mas o que a torna muito especial é o seu enorme espigueiro, talvez o maior de Portugal!

Espigueiro de Carrazedo créditos: Pedro Henriques | Espírito Viajante

Casas em Carrazedo créditos: Pedro Henriques | Espírito Viajante

Busteliberne, Cabeceiras de Basto

Segundo o historiador Leite de Vasconcelos, este curioso topónimo terá derivado de Busto do Liberne (o liberne é uma espécie de gato selvagem). Devido ao seu valor arquitetónico, esta aldeia está protegida por um Plano de Pormenor e faz parte do roteiro das Aldeias do Norte de Portugal.

Casa de lavrador e espigueiro em Busteliberne créditos: Pedro Henriques | Espírito Viajante

Casas de lavrador em Busteliberne créditos: Pedro Henriques | Espírito Viajante

Torrinheiras, Abadim

A aldeia mais alta de Cabeceiras de Basto! A aldeia das Torrinheiras já se encontra a mais de 1000 metros de altitude e está na fronteira do concelho com Montalegre. É um aglomerado muito pequeno, mas com um enquadramento fantástico. Dê um passeio pela rua central, admire o cruzeiro de cronologias proto-históricas e medievas e suba ao Alto das Torrinheiras nos seus 1.191 metros.

Cruzeiro sob peanha proto-histórica em Torrinheiras créditos: Pedro Henriques | Espírito Viajante

Lameiros de Torrinheiras créditos: Pedro Henriques | Espírito Viajante

Moscoso

A aldeia de Moscoso está voltada para um dos locais mais belos do concelho: o vale da Ribeira de Cavez! É neste vale que se encontra um morro granítico em forma de bico, que é conhecido por Nariz do Mundo, e foi este mesmo nome adotado pela adega regional da aldeia, que se tornou num caso de sucesso regional, trazendo todos os fins de semana autocarros cheios de gente. Posta à barrosã, chanfana e cozido à portuguesa são alguns dos pratos que estão ao nosso dispor. Junto da aldeia existem umas cascatas que combinam harmoniosamente com o verde dos lameiros. Está à espera de quê?

Moscoso créditos: Pedro Henriques | Espírito Viajante

Cascata perto da aldeia de Moscoso (Poço das Relvas) créditos: Pedro Henriques | Espírito Viajante

Uz, Vilar de Cunhas

A aldeia da Uz, chama logo a atenção pelo nome curioso (consta-se que deriva da palavra urze). Andando pelas suas ruas estreitas, sentimo-nos transportados para uma época remota. Admire a arquitetura rústica das casas e não pode deixar de passar no Fojo (já em direção ao Samão), uma armadilha com centenas de anos, que servia para caçar os lobos, que tão frequentemente assolavam os moradores e gado da povoação.

Aldeia da Uz créditos: Pedro Henriques | Espírito Viajante

Vista sobre a aldeia da Uz, Vilar de Cunhas créditos: Pedro Henriques | Espírito Viajante

Samão, Gondiães

A aldeia do Samão fica na parte mais a nascente do concelho, já não muito longe do de Ribeira de Pena. Para além do interessante conjunto de casas antigas, espigueiros e moinhos, é pela famosa Festa das Papas, que atrai visitantes. Em todos os anos ímpares, no dia 20 de janeiro comem-se as papas, o toucinho e a broa, em promessa a S. Sebastião por ter livrado estes povoados de montanha de uma peste que tinha assolado pessoas e animais.

Vista sobre a aldeia do Samão créditos: Pedro Henriques | Espírito Viajante

Casa de lavrador datada de 1791, em Samão créditos: Pedro Henriques | Espírito Viajante

Interior da Capela da Srª dos Remédios no Samão créditos: Pedro Henriques | Espírito Viajante

Como chegar

A7 quem vem por Porto (A3), Braga (A11) ou Vila Real (A24), saída em Arco de Baúlhe. Acessos pelas Estradas Nacionais EN 205, EN 206, EN 210 e EN311.

Gastronomia

Cabrito assado, posta à Barrosã, bacalhau assado com batatas a murro e enchidos. Nos vinhos, reina o vinho verde, que faz parte da região demarcada de Basto. Nas doçarias temos o mel, as compotas e o pão de ló.

Onde dormir

Recomendo a Casa de Lobos, alojamento de montanha. A Câmara Municipal também aluga as antigas casas florestais agora convertidas em alojamento de montanha, contacte o Posto de Turismo para as reservas.

Posto de Turismo

Praça da Republica, 4860-355 Cabeceiras de Basto Tel.: 253 669 100; Email: pturismo@cabeceirasdebasto.pt


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