O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recebe os partidos com assento parlamentar e os parceiros sociais entre segunda e quarta-feira para uma análise da situação política.

Os partidos vão ser recebidos no Palácio de Belém na segunda-feira, com intervalos de uma hora, entre as 12h00 e as 18h00, por ordem crescente da sua representação no parlamento: PAN - Pessoas-Animais-Natureza, Partido Ecologista "Os Verdes", PCP, CDS-PP, Bloco de Esquerda, PS e PSD.

Os parceiros sociais CGTP, CIP, CCP, CTP serão ouvidos na terça-feira, entre as 14h00 e as 17h00, e a CAP na quarta-feira às 17h00, sendo que a UGT já foi recebida pelo chefe de Estado na passada quarta-feira, às 14h00.

Questionado sobre o significado destes encontros, o Presidente da República disse tratar-se de uma rotina que quis implementar durante o seu mandato com intervalos de dois meses e meio. "Terminou a sessão legislativa, houve o debate do Estado da Nação, vai arrancar a elaboração do orçamento para 2017 e portanto é uma grande ocasião para ouvir todos os partidos com assento na Assembleia da República e todos os parceiros económicos e sociais", explicou.

O chefe de Estado acrescentou que não considera provável uma crise política que possa obrigar a eleições legislativas antecipadas, apoiando-se em sondagens políticas e nas previsões de cumprimento das metas estabelecidas em termos de défice.

"É possível dizer que a meta que é o compromisso nacional de um défice inferior a 3%, eventualmente até inferior a 2,7%, até agora é possível", disse Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas à margem de uma homenagem à escritora Lídia Jorge, na quinta-feira em Loulé.

Um cenário que leva o Presidente da República a afirmar que não vê sinais de crise política ou de qualquer risco de incumprimento nacional apoiando-se nos números de Junho relativos às receitas e despesas que apontam que "a execução orçamental está sob controlo".

Questionado se a questão de Portugal ser eventualmente punido pela União Europeia faz aumentar a crispação política, Marcelo disse encontrar "na sociedade portuguesa um clima geral em que a crispação desapareceu".

"A minha experiência mostra que há no mês de Julho uma subida de temperatura nos actores políticos, no que se dizem, no que se chamam, naquilo que pensam ou não pensam mas dizem que pensam sobre o país, isso tem que ser levado à conta da época e não se confunde com estado de espírito do povo", concluiu.

Desde que tomou posse, a 9 de Março, Marcelo Rebelo de Sousa já chamou por duas vezes os partidos com assento parlamentar a Belém, a última das quais há menos de um mês, a 27 e 28 de Junho, por imposição constitucional, no quadro da marcação da data das eleições para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.