Considerado um dos fundadores do movimento talibã e sendo um dos mais estritos defensores da interpretação fundamentalista da lei islâmica, Turabi disse em entrevista à Associated Press que o novo regime vai retomar as punições com execuções ou amputações de mãos.

O novo ministro das prisões, parte do executivo recentemente anunciado pelos talibãs para governar o país, depois da sua tomada do poder em agosto, desvalorizou a indignação da comunidade internacional quanto às execuções públicas que os talibãs levaram a cabo no passado, por vezes em frente a multidões.

Turabi deixou também um aviso a quem pretenda interferir com a nova liderança afegã. “Toda a gente criticou-nos pelos castigos nos estádios, mas nós nunca dissemos nada quanto às suas leis e castigos. Ninguém vai dizer-nos que leis devemos seguir. Nós seguimos o Islão e vamos criar as nossas leis a partir do Corão”, advertiu.

Especificamente no caso das amputações de membros, o ministro disse ser necessário recuperar essa prática porque serve como dissuasor para a prática de crimes, sendo, por isso, é “necessário para segurança”.

No entanto, é possível que estas punições, feitas em público no anterior regime talibã, possam passar a ocorrer em privado, mas Turabi fala apenas na “conceção de uma política” quanto a isso. Outra diferença é que agora o poder judicial terá, em teoria, mais independência quanto à interferência dos clérigos islâmicos e a sua interpretação da sharia, sendo que serão juízes — mulheres incluídas — a adjudicar casos.

Ainda assim, apesar destas mudanças, as afirmações do novo ministro parecem confirmar os piores temores quanto ao novo regime talibã, que se apresentou com uma nova face depois da tomada do poder a 15 de agosto. O anterior regime, entre 1996 e 2001, tornou-se infame pela violência pública com que decorriam as execuções.

Para já, segundo a AP, não houve execuções em público, mas já houve humilhações em plena Cabul, com homens acusados de pequenos delitos a serem levados na parte de trás de uma carrinha pick-up, com as mãos atadas e a cara pintada, pela cidade. Noutro caso, foram obrigados a andar com pão duro pendurado ao pescoço ou na boca.

Turabi, anteriormente ministro da justiça, é um veterano da resistência mujahideen contra a invasão da União Soviética nos anos 80, razão pela qual não tem uma perna nem um olho. 

Foi também líder do ministério da promoção da virtude e da prevenção do vício. Como parte destas funções, ganhou infâmia ao exigir que os funcionários governamentais usassem turbantes e permitindo que os seus seguidores espancassem homens com a barba demasiado curta. Turabi também tornou-se notório por arrancar cassetes de música dos carros e esticar as fitas ao longo de postes em árvores nas ruas.

Agora, porém, já não se opõe à influência dos media ocidentais, particularmente no que toca à tecnologia, que considera ser necessária. Por isso, diz, que os talibãs “mudaram do passado para o presente” ao permitir o acesso a televisão, telemóveis e aparelhos de captação de vídeo.

A lista final do Governo talibã foi apresentada há dias pelo porta-voz do executivo, Zabihullah Mujahid. Ao contrário do que tinha sido sugerido, não há mulheres a deter pastas. 

A lista de ministros indica que os talibãs não foram influenciados pelas críticas internacionais e que estão a aplicar uma linha dura, apesar das promessas iniciais de inclusão e defesa dos direitos das mulheres.

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