O projeto, coordenado pelo Instituto Pedro Nunes (IPN), arrancou no início do mês e faz a carrinha percorrer aldeias de Soure, Pombal, Alvaiázere, Penela e Condeixa-a-Nova, na Serra de Sicó, nos distritos de Coimbra e de Leiria.

Dentro da carrinha, o percurso para cada participante demora entre 30 a 45 minutos, no qual são avaliados alguns parâmetros, como o peso, o equilíbrio, a pressão arterial, a função pulmonar, o tempo de reação ou a flexibilidade, para além de um questionário aberto para perceber qual a dieta que cada um segue, mas também a vida social ou a frequência de exercício físico, explicou à agência Lusa o coordenador do projeto, António Cunha.

No final, é dado um relatório simples, utilizando as cores dos semáforos, para informar as pessoas sobre o que está bem e o que é preciso melhorar, dando conselhos e estratégias para combater fatores de risco associados a doenças cardiovasculares, à depressão ou à diabetes.

Na quarta-feira, a carrinha esteve estacionada junto à igreja de Pombalinho, no concelho de Soure, com várias pessoas a deslocarem-se até lá, sentando-se à sombra, à espera da sua vez.

“As coisas estão mais ou menos”, contava Lucinda Fernandes, de 62 anos, no final do pequeno périplo pela carrinha.

Ouviu falar do projeto na missa de domingo e decidiu ir para ver como estava, dizendo que terá de fazer umas caminhadas.

“Às vezes somos preguiçosos e não as fazemos”, notou a habitante das Malhadas.

Já Isaura Amorim, de Cotas, saiu “muito contente” da carrinha, depois de ver um relatório com “muitos, muitos verdes [a classificação é atribuída de acordo com as cores dos semáforos]”.

“É bom sinal. Disseram-me que estava muito bem para a minha idade, que estou uma rapariga nova, mas que tenho que emagrecer um bocadinho”, contou a mulher de 80 anos, que vai fazer um esforço para andar um pouco mais para ver se não fica “pesada”.

Matilde Dias, do Pombalinho, aplaudiu a iniciativa e considerou que “devia haver mais vezes”, já que, apesar de não fazer as vezes de um centro de saúde, ajuda populações que estão um pouco afastadas dos centros urbanos.

Recomendaram-lhe que fosse ao médico ver dos pulmões e a alterar os hábitos alimentares.

“O meu problema é que como muito e poucas vezes. A gente tem de ouvir e aprender qualquer coisa”, referiu.

António Cunha salienta que o primeiro teste foi feito com uma praça em ambiente urbano, em 2018. E se um serviço que se foca no estilo de vida não está muito presente nesses locais, então em zonas rurais “não existe mesmo”.

“No limite, o contacto que existe é um centro de saúde, que está focado na questão da doença. Decidimos transformar essa praça numa carrinha móvel que pudesse chegar junto das pessoas”, referiu.

O projeto espera atingir cerca de 300 pessoas e os resultados serão comunicados às entidades de saúde para que a ferramenta possa vir a ser incorporada, disse o coordenador da iniciativa.

Segundo António Cunha, a experiência “tem sido muito gratificante”, apontando para o exemplo de um casal que num sábado se deslocou à carrinha e no domingo “já tinha ido buscar as bicicletas à garagem” para fazer algum exercício físico.

A iniciativa está integrada no projeto HeaLIQs4Cities, coordenado pelo IPN, em parceria com a Universidade de Coimbra e o Centro Médico e Universitário de Groningen (Holanda), e conta com apoio da Comissão Europeia e do Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia.

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