O estudo desenvolvido pelos Investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), denominado ‘O-glycans truncation modulates gastric cancer cell signaling and transcription leading to a more agressive phenotype’ e recentemente publicado na revista EBioMedicine, teve como principal objetivo “compreender o efeito das alterações dos glicanos [estruturas de hidratos de carbono complexas] no cancro”.

“Estas alterações dos glicanos eram conhecidas por ocorrer nas células tumorais, mas a razão desta expressão aberrante nos tumores e o papel funcional destas alterações não eram compreendidas”, contou à Lusa, Celso Reis, líder do grupo ‘Glycobiology in Cancer’ do i3S/Ipatimup e responsável pelo estudo.

Segundo o investigador, os resultados obtidos permitiram assim identificar que o “mecanismo molecular” pode induzir as células tumorais a “serem mais agressivas, causando a progressão da doença e influenciado o prognóstico clínico dos doentes”.

“Percebemos que de facto, esta alteração da glicosilação, modifica e ativa determinadas vias de sinalização e expressão de determinados genes das células que induzem um comportamento agressivo das células tumorais do cancro do estômago”, contou o investigador, a propósito do Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, que se assinala na segunda-feira.

De acordo com Celso Reis, o conhecimento destes mecanismos pode permitir a melhoria da “estratificação dos doentes” através de terapias dirigidas e fármacos inovadores, assim como “contribuir para o desenvolvimento de fármacos mais eficientes” no tratamento do cancro.

“Se soubermos quais são os cancros com estas características, podemos tratar melhor estes casos. Nos casos em que o ‘arsenal’ terapêutico não é o mais eficiente, podemos identificar e desenvolver novas estratégias para atingir estes novos alvos terapêuticos”, frisou.

A equipa do i3S, que tem vindo a analisar os principais mecanismos e funções desempenhadas pela glicosilação cancerígena, está neste momento a desenvolver “novas estratégias”, assim como fármacos que permitam auxiliar no tratamento de doentes com cancro no estômago.

“No caso do cancro do estômago, já existem alguns marcadores, mas existe um subgrupo substancial que, quando é detetado, já se encontra numa fase avançada e no qual os fármacos não funcionam. É necessário, por isso, perceber porque é que não são adequados, mas também é preciso desenvolver novos”, acrescentou.

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