Pelas 16:30 de hoje, uma longa fila de automóveis formou-se na entrada do tabuleiro da ponte, no sentido Norte-Sul, em direção a Almada (Setúbal), depois de cerca de 20 elementos da polícia terem colocado cones de sinalização para dar início à operação policial.

“Isto tem de ser, tem de ser. Acho que isto está um bocado mal, tem de se ter muito cuidado com isto tudo”, realçou à agência Lusa José Assunção, que fazia alusão ao aumento de casos de covid-19 em Portugal.

De acordo com o também motorista da Carris, a Polícia de Segurança Pública só está apenas a cumprir o seu trabalho.

Para a subcomissária Cátia Brás, da Divisão de Trânsito de Lisboa, a operação de fiscalização é mais “uma ação de sensibilização e pedagogia” para alertar os condutores de que o país está a “atravessar um período crítico de pandemia e que as cadeias de contágio devem ser cortadas”.

“Estamos a fazer uma fiscalização seletiva. Não tem um procedimento, não tem um padrão de quais os veículos mandamos parar”, explicou, adiantando que a PSP está a tentar saber o que leva as pessoas a circular entre concelhos.

Segundo Cátia Brás, todos os casos são avaliados e são verificados os motivos de deslocação.

“Nós avaliamos a situação caso a caso e verificamos se realmente o condutor está a cumprir ou não”, disse, avisando que “se um condutor prestar falsas declarações incorre num crime de desobediência”.

Cátia Brás lembrou que durante o dia de hoje aconteceram várias ações de fiscalização rodoviária e que o balanço nacional das várias operações policias será apenas conhecido na próxima terça-feira, 03 de novembro.

A circulação de pessoas para fora do concelho de residência está limitada em Portugal continental desde as 00:00 de hoje até às 06:00 de terça-feira, no âmbito das medidas de combate à pandemia.

No início do tabuleiro da Ponte 25 de Abril, a fila já vai cumprida. Muitas pessoas estão de regresso a casa, depois de um longo dia de trabalho. Como é o caso de Manuel Veiga, que mora na Margem Sul e considera as medidas heterogéneas.

“Eu penso que elas não são más. O que devia haver era mais homogeneidade das mesmas. Como é que uma festa do Avante tem tantas pessoas e ninguém refila e as pessoas andam aqui na sua vida normal e, no fundo, estão a ser impedidas de fazer sua vida”, exclamou o também topógrafo.

À Lusa, Manuel Veiga considerou ser “chato e aborrecido” as pessoas estarem “imensas horas nas filas”, correndo o risco de perderem os empregos.

“Eu não venho de um café. Eu venho do trabalho. Eu vou ter de pagar os meus impostos. Eu venho de trabalhar, não venho em excursão. Eu penso que este Governo se quisesse fazer alguma coisa de útil era ver onde as pessoas vão. Se as pessoas vão ao cemitério este fim de semana, tratem dos cemitérios, agora não façam com que as pessoas percam os seus empregos”, disse.

Mais ao longe, a polícia manda parar Piedosa Balailda que vem de Sintra, depois de se ter apresentado em tribunal por questões pessoais.

“A situação está difícil. Mas tem de ser. Quanto à situação da polícia, é o trabalho deles, tem de ser feito”, referiu.

Também Bruno Almeida explicou que a ação de fiscalização da PSP é necessária, uma vez que vai ser um fim de semana com “muita movimentação de pessoas”.

“Com o aumento de casos que tem acontecido no país, acho que faz todo sentido”, observou, indicando que já aguardava que a polícia o mandasse “parar a pedir a declaração e justificasse a mudança de concelho”.

A PSP e a GNR estão a realizar operações de fiscalização e de sensibilização em todo o país até ao dia 03 de novembro, durante o fim de semana do Dia de Todos os Santos e o Dia de Finados, quando muitos portugueses se deslocam aos cemitérios.

As medidas restritivas surgem numa altura em número de infetados e de mortos por covid-19 tem aumentado em Portugal.

Para circular entre concelhos, as pessoas devem fazer-se acompanhar de uma declaração justificativa da entidade patronal ou prestar declaração, sob compromisso de honra, se a deslocação se realizar entre municípios limítrofes ao da residência habitual ou na mesma Área Metropolitana.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,1 milhões de mortos e mais de 45,1 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 2.468 pessoas dos 137.272 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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