Estas estimativas resultam de um questionário feito entre os dias 01 e 07 de abril junto de 60% dos associados da AHP, para avaliar o impacto da pandemia de covid-19 no setor, e representam uma deterioração face à anterior estimativa de perda de 500 a 800 milhões de euros de receitas turísticas, apontada no inquérito realizado em março.

Num cenário “menos pessimista”, e tendo em consideração os valores de receitas turísticas registados em 2019, a associação antecipa perdas de 80% de 01 de março até final de junho (contra os anteriores 30%), num valor da ordem dos 1,28 mil milhões de euros, e uma queda de 80% de dormidas (contra 30% no anterior inquérito), com 11,8 milhões de noites perdidas.

Já num cenário “pessimista”, as perdas chegam aos 90% nas receitas e nas dormidas, o que se traduz numa diminuição de 1,44 mil milhões de euros e de 13,1 milhões de noites no mesmo período.

O inquérito efetuado pela AHP, e cujas conclusões foram apresentadas hoje pela presidente executiva, Cristina Siza Vieira, aponta ainda que durante o mês de abril entrarão em ‘lay-off’ pelo menos 51 mil dos 60 mil trabalhadores efetivos da hotelaria, já que mais de 90% dos inquiridos confirmaram o recurso a este instrumento na sequência da crise gerada pela pandemia, abrangendo em média 85% dos trabalhadores ao serviço.

“E estamos a pecar por defeito, porque a convicção que temos é que, estando nós ainda em abril, a sair da época baixa, não chegámos a fazer contratações para a Páscoa nem para o verão e, portanto, ainda estamos nos mínimos olímpicos da hotelaria, com menos de um trabalhador por cada dois quartos. Por outro lado, é também nossa convicção que já houve muitos contratos a termo e períodos experimentais que se fizeram cessar”, notou.

No que se refere às previsões dos hoteleiros quanto às quebras das taxas de ocupação desde o início deste ano até ao final de junho, todos estimam recuos “largamente acima dos 50%”, sendo que 65% dos inquiridos antecipam uma quebra de 70% a 100% e a maior fatia (31%) prevê uma descida de 80% a 89%.

Estes valores contrastam com as estimativas muito mais favoráveis do inquérito anterior (em que 48% dos inquiridos apontava uma quebra até 10%) e, segundo Cristina Siza Vieira, são “um espelho interessante da violência com que, em menos de um mês, o cenário se alterou”.

Face a estas quebras estimadas de ocupação, 71% dos inquiridos prevê uma redução de receitas de 70% a 100%, com a maior fatia dos hoteleiros (cerca de 35%) a apontar um recuo de 80% a 89%.

Questionados sobre a confiança que têm numa normalização do setor a nível internacional até ao final do primeiro semestre deste ano – e num “volte face brutal” face ao anterior inquérito, nota a AHP – 60% dos hoteleiros diz ter um grau de confiança “muito reduzido” (contra pouco mais de 20% no inquérito de março).

A retoma do turismo, a tesouraria, a manutenção dos atuais postos de trabalho e a incerteza quanto à duração da pandemia são as principais dificuldades apontadas para 2020, sendo que 75% dos inquiridos já recorreu ou pretende recorrer às linhas de financiamento abertas pelo Governo, num contexto em que mais de 80% vão encerrar os estabelecimentos (ou alguma unidade do grupo) pelo menos em abril e maio.

Do inquérito efetuado pela AHP resultou ainda que, face ao cancelamento das reservas que já tinham sido feitas para o atual período, o seu reagendamento é a estratégia privilegiada pelos hoteleiros, assim como a emissão de ‘vouchers’ com validade alargada, surgindo aqui como “principal dificuldade” encontrada os cancelamentos de reservas junto das OTAS (‘online travel agencies’).

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