Em resposta escrita a um pedido de esclarecimento enviado pela agência Lusa, a propósito do cargueiro de bandeira russa Topaz Don, que chegou a Viana do Castelo na segunda-feira, às 20:15, e continua fundeado à entrada do porto de mar, sem efetuar aquele serviço, a multinacional alemã disse estar “profundamente chocada com a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, violando o direito internacional, e está preocupada com a ameaça à paz e estabilidade na Europa”.

“Apoiamos as sanções e medidas impostas pelo Governo Federal Alemão, a União Europeia (EU) e outras nações ocidentais, e atuamos sempre em conformidade com as regras”, sustenta a empresa, com sede na Alemanha.

A multinacional alemã, fabricante de aerogeradores, acrescentou estar, “atualmente, a trabalhar no sentido de averiguar até que ponto pode suspender as cooperações acordadas contratualmente com empresas russas que ainda não se encontram sob os embargos impostos”.

“Esta situação também se aplica a navios de companhias de navegação internacionais que navegam sob a bandeira russa”, frisou a empresa que está instalada no concelho de Viana do Castelo desde 2008, e emprega atualmente cerca de 1.500 trabalhadores, nas fábricas situadas nos parques empresariais da Praia Norte e de Lanheses.

Anteriormente à Lusa, o capitão do porto e comandante da Polícia Marítima (PM) de Viana do Castelo, Silva Lampreia, adiantou que na sequência da decisão da Enercon, de impedir o carregamento de pás e turbinas para torres eólicas destinadas ao Báltico, o armador instruiu o comandante do cargueiro russo a não entrar no porto de mar e permanecer no fundeado.

Segundo Silva Lampreia, o agente de navegação, Burmester Stuve, “está a desenvolver diligências no sentido de mudar a bandeira do navio para tentar contornar a situação”.

O responsável adiantou que a permanência do navio à entrada do porto de Viana do Castelo vai depender do estado do mar, uma vez que a partir das 18:00 e até às 21:00 de sexta-feira as previsões apontam para o agravamento da agitação marítima, com ondas de quatro a cinco metros de altura.

“Por questões de segurança poderei ter de determinar o afastamento do navio, para não se correrem riscos, [como] por exemplo o de se partir a amarra e o navio não ter tempo de reagir e dar à costa. Há vários fatores que têm de ser analisados em função das circunstâncias ambientais que também são relevantes”, sustentou Silva Lampreia.

Contactada pela Lusa, fonte da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) disse que, “neste momento, não existe nenhuma orientação no sentido de impedir a entrada ou saída de qualquer embarcação, seja de que nacionalidade for”.

“Por razões de segurança a embarcação recebeu água e combustível, por não haver indicações em contrário”, referiu a fonte, adiantando que as “questões comerciais” ultrapassam a administração da APDL.

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