A Audiência Nacional, um tribunal que trata dos crimes mais graves de corrupção, convocou Francisco González como arguido, para ser ouvido em 18 de novembro, por alegados crimes de suborno, acesso e divulgação de segredos relacionados com escutas ilegais levadas a cabo por um ex-polícia que está preso.

O tribunal deu assim seguimento ao pedido formulado esta semana pelo Ministério Público anticorrupção que está a investigar este caso.

O BBVA teria, alegadamente, utilizado os serviços do ex-comissário de polícia José Manuel Villarejo, em 2004, e tido acesso a milhares de telefonemas de jornalistas e personalidades altamente colocadas do mundo político e económico, com o objetivo de impedir que o grupo imobiliário Sacyr entrasse no seu capital social.

Em janeiro passado, o banco, que anteriormente tinha aberto uma investigação interna sobre o caso, negou ter “encontrado qualquer documentação que refletisse o seguimento e a apreensão de comunicações privadas” durante o inquérito inicial.

No entanto, o caso forçou o presidente do banco de 2000 a final de 2018, Francisco González, a renunciar no início de 2019 a todos os seus cargos, inclusivamente os honoríficos, no seio do banco.

O banco já tinha reconhecido em janeiro último que tinha utilizado os serviços do grupo Cenyt do polémico ex-comissário da polícia, que está no centro de inúmeros casos que têm abalado as altas esferas do país, inclusivamente a família real espanhola.

Este ex-polícia, que está detido desde novembro de 2017, gravou as conversas que teve ao longo dos anos com líderes políticos, magistrados e líderes empresariais sem o conhecimento destes, sendo agora acusado de usar essas gravações para os chantagear.

No total, Villarejo teria acumulado o equivalente a "três meses ininterruptos de programas de rádio", revelou em outubro de 2018 a ministra da Justiça espanhola, Dolores Delgado, que também foi alvo das gravações ilegais.

A Audiencia nacional já tinha decidido em julho último aplicar uma fiança de 300.000 euros ao ex-chefe da segurança do BBVA e ex-comissário-geral da Polícia Judiciária para aguardar em liberdade enquanto é julgado neste caso de espionagem.

Julio Corrochano faz parte de um grupo de nove dirigentes antigos e atuais do BBVA, o segundo maior banco espanhol, envolvidos no alegado delito de escutas ilegais encomendadas.

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