“Os prisioneiros de Azovstal estão no território da República Popular de Donetsk”, afirmou.

Na quarta-feira passada, o jornal independente russo Meduza afirmava que 89 dos combatentes ucranianos que defenderam Azovstal estariam na cidade de Taganrog, na região russa de Rostov.

A Rússia anunciou, na sexta-feira, que um total de 2.439 militares ucranianos se renderam em Azovstal, uma metalúrgica com mais de 11 quilómetros quadrados que foi o último bastião dos combatentes ucranianos na cidade portuária de Mariupol.

Moscovo divulgou alguns vídeos e fotos, especialmente de feridos em hospitais, mas não avançou o local para onde foram transferidos.

De acordo com Pushilin, “está a ser preparado um tribunal internacional a instalar no território da república” de Donetsk para julgar os militares ucranianos de Azovstal, algo que ainda não foi confirmado por Moscovo.

O líder separatista pró-Rússia não esclareceu o que entende por tribunal internacional.

O vice-presidente do Comité de Defesa da Duma Russa (câmara baixa do parlamento), Yuri Shvitkin, considerou hoje, em declarações à agência oficial TASS, que é “absolutamente correto” julgar os defensores do regimento Azov, considerados “criminosos de guerra” e “neonazis” por Moscovo, defendendo que o julgamento deve decorrer na Rússia.

“Nas repúblicas de Donetsk e Lugansk a pena de morte está em vigor, não foi abolida e, portanto, claro que [defensores ucranianos] podem ser sujeitos a isso”, admitiu.

“Se falarmos em algum tipo de tribunal internacional, francamente, no quadro dos acontecimentos de hoje relativamente aos países ocidentais, é claro que não confiamos na investigação objetiva e, mais ainda, na condenação desses nazis”, acrescentou.

Por sua vez, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Andrei Rudenko, não descartou a possibilidade de uma troca de presos que inclua os detidos em Azovstal.

A última troca de prisioneiros entre a Rússia e a Ucrânia ocorreu no início de maio, e abrangeu 41 ucranianos capturados pelas forças russas, incluindo 11 mulheres, de acordo com fontes oficiais em Kiev.

“Provavelmente tudo isso está a ser discutido. Admito qualquer possibilidade que não contrarie o bom senso”, afirmou, citado pela Interfax.

A Provedora de Justiça russa, Tatiana Moskalkova, disse hoje que a Rússia apoiou o trabalho do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) no registo dos prisioneiros ucranianos, incluindo os militares do batalhão Azov que foram retirados da fábrica de Azovstal, entre 17 e 20 de maio.

O CICV garantiu que vai verificar as condições e tratamento dos militares que se renderam na fábrica de Azovstal e se estão a ser mantidos como prisioneiros de guerra pelas autoridades russas.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de três mil civis, segundo a ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A guerra na Ucrânia, que completa na terça-feira três meses, causou já a fuga de mais de 14 milhões de pessoas das suas casas — cerca de oito milhões de deslocados internos e mais de 6,1 milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a II Guerra Mundial (1939-1945).

Também as Nações Unidas disseram que cerca de 15 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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