“Para nós é excelente, há muito que ansiávamos pela abertura. Os homens precisavam de capturar aquela que é a espécie alvo desta arte [ganchorra] e, sem ela, os barcos não têm rentabilidade”, afirmou à Lusa Miguel Cardoso, presidente da organização de produtores de pesca do Algarve (Olhãopesca).

Na última semana, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) levantou a interdição à captura de conquilha entre Faro e Vila Real de Santo António, depois de uma paragem de quase seis meses, devido à presença de toxinas nos bivalves.

O levantamento da interdição vem “numa altura boa”, afirmou aquele dirigente, já que a época de Natal e de passagem de ano é tradicionalmente um altura de maior procura, principalmente do mercado espanhol, para onde segue “70 a 80% do produto”.

Miguel Cardoso referiu que “há muita conquilha”, o que é “um bom sinal” e uma mais valia na manutenção da espécie, mas que, em contrapartida, pode ter um lado negativo para os armadores.

“A abundância é tal que um barco, facilmente, captura o limite diário de 200 quilos, o que pode provocar um excesso de oferta e uma redução no preço de venda ao público”, alegou.

A sazonalidade do histórico de interdições à captura de conquilha dá esperança aos profissionais de que não haverá mais impedimentos à pesca “até abril, maio”, altura em que entra em vigor o defeso anual, referiu.

Desde maio deste ano - altura em que entraram num defeso de um mês e meio –, os pescadores do sotavento (leste) algarvio apenas puderam capturar conquilha, durante uma semana na zona de Tavira, em julho, estando há quase seis meses “sem ir ao mar”.

Miguel Cardoso revelou que apenas no início do próximo ano os profissionais vão poder requerer o fundo de compensação salarial referente aos meses de interdição em 2019, alertando que, dos processos colocados pela Olhãopesca referentes a 2018, “apenas alguns armadores” receberam o apoio.

Os pescadores da ganchorra – arte de arrasto destinada à captura de bivalves -, manifestaram-se na passada semana no porto de Olhão e ainda aguardam pela reunião, já solicitada, com o Secretário de Estado das Pescas e entidades do setor.

O objetivo é encontrarem “soluções de médio e longo prazo” para que haja, por exemplo, uma janela de oportunidade para a “imobilização definitiva de algumas embarcações”, concluiu.

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