"Criou um inferno para toda a gente", afirmou o homem, advogado de profissão, referindo-se à arguida, também ela advogada.

A arguida, declarou o ofendido e assistente noutro ponto do seu depoimento, "reagia sempre com agressividade" e "agredia toda a gente".

Um dos episódios contados pelo marido em tribunal reporta-se a 12 de dezembro de 2015, altura em que a mulher se envolveu numa discussão com uma das filhas a propósito de uma viagem que a menor pretendia fazer à Alemanha com outros parentes, acabando por a arranhar na face.

O marido pediu-lhe explicações e a advogada retaliou agredindo-o a pontapé, à bofetada e a murro, causando-lhe escoriações que o incapacitaram para o trabalho durante três dias.

"Foi a primeira agressão", recordou.

Momentos após a mulher tentou nova agressão ao marido, desta feita com uma faca de cozinha, sendo desarmada por um dos filhos, que chamou a polícia.

"A partir daí passou a ser o inferno", comentou.

Antes do depoimento, o tribunal recusou realizar o julgamento à porta fechada.

Os assistentes no processo (marido e dois dos três filhos do casal) requereram que toda a produção de prova se fizesse à porta fechada, mas, num despacho lido em audiência, o coletivo de juízes admitiu apenas que um ou outro testemunho se faça com exclusão de publicidade.

Também antes da produção de prova, o tribunal recusou declarar a nulidade da acusação do processo, pedida pela defesa da arguida, que faltou a esta primeira audiência alegando doença.

O tribunal considerou não ser "absolutamente indispensável" a sua presença nesta sessão, sem prejuízo de prestar declarações posteriormente.

O despacho de acusação do processo agora levado a julgamento, sublinha a postura de crescente "agressividade e autoritarismo" que a arguida, atualmente com 44 anos de idade, adotou com o marido, logo após casamento, em 1992, e que veio a estender-se aos três filhos do casal (duas raparigas e um rapaz), nascidos entre 1993 e 2005.

A situação agravou-se no ano de 2014, afirma o MP, quando "a arguida passou a ingerir bebidas alcoólicas em excesso, pelo que o homem e dois dos filhos acabaram por abandonar definitivamente a residência comum em março de 2016.

A mulher, que aguarda julgamento sujeita à medida de coação mínima (Termo de Identidade e Residência), está acusada pela prática de quatro crimes de violência doméstica

O julgamento prossegue à tarde.

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