“É extremamente preocupante que até hoje não haja informação nenhuma. Continuamos à espera e reforçamos o nosso apelo para a sua localização”, frisou hoje Ernesto Nhanale, diretor executivo do Misa, organização de defesa da liberdade de imprensa, em declarações à Lusa.

Várias organizações internacionais, incluindo a Amnistia Internacional, a Human Rights Watch e a União Europeia, manifestaram já o seu repúdio com o desaparecimento do jornalista e pediram às autoridades o esclarecimento do caso.

A Polícia da República de Moçambique (PRM) disse à Lusa que continua a investigar o caso.

“Trabalhos estão sendo feitos para a sua localização e oportunamente o comando-geral PRM vai pronunciar-se”, referiu Augusto Guta, porta-voz da corporação na província de Cabo Delgado.

Ibraimo Mbaruco, jornalista da Rádio Comunitária de Palma, em Cabo Delgado, desapareceu no dia 07 de abril em circunstâncias por apurar, disseram à Lusa, na ocasião, familiares e uma fonte da rádio.

Segundo o Misa, pouco antes do seu desaparecimento, Ibraimo terá enviado uma curta mensagem (SMS) a um dos seus colegas de trabalho, informando que estava "cercado por militares" e o que se passou depois é uma incógnita.

As autoridades moçambicanas demarcaram-se da eventual detenção do jornalista, reiterando que o caso está sob investigação.

O Misa escreveu uma carta à Presidência da República de Moçambique, apelando ao chefe de Estado, Filipe Nyusi, para "acionar mecanismos" que pudessem restituir o jornalista à liberdade.

No dia 24 de abril, durante uma reunião com o Misa sobre o caso, a Presidência moçambicana sugeriu à organização que submetesse o caso à Procuradoria-Geral da República moçambicana, ação que já tinha sido encetada pela família da vítima em Cabo Delgado.

A 21 de maio, falando na Assembleia da República, a procuradora-geral de Moçambique, Beatriz Buchili, disse que o processo do desaparecimento do jornalista Ibrahimo Mbaruco em Cabo Delgado encontra-se em instrução preparatória.

Cabo Delgado, região onde avançam megaprojetos de extração de gás natural, vê-se a braços com ataques de grupos armados classificados como uma ameaça terrorista e que já mataram pelo menos 600 pessoas nos últimos dois anos e meio, provocando uma crise humanitária que afeta 211.000 pessoas.

Em 2019, dois jornalistas locais na região que cobriam o tema, Amade Abubacar e Germano Adriano, foram detidos e maltratados pelas autoridades durante quatro meses, sob acusação de violação de segredos de Estado e incitamento à desordem, num caso contestado pelas Nações Unidas e outras organizações.

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