“A escala das necessidades é muito grande e vai ser ainda maior, à medida que se for percebendo as pessoas que estão afetadas por este (…) desastre”, disse à Lusa Mónica Ferro, à margem do WinterCEmp, promovido pela representação da Comissão Europeia, no qual foi oradora, e que hoje terminou em Ílhavo, distrito de Aveiro.

“Estamos preocupados com o que está a acontecer, pela escala do desastre”, admitiu, referindo-se ao ciclone que, há dez dias, semeou a destruição e causou pelo menos 761 mortos em três países africanos, entre os quais Moçambique.

Mónica Ferro adiantou que o FNUAP tem um escritório em Moçambique, país onde já estão também, desde sábado, dois coordenadores da agência – um para as operações humanitárias e outro para a resposta em matéria de saúde sexual e reprodutiva.

“Nestes contextos, há mulheres que estão grávidas, há mulheres que acabaram de dar à luz, é preciso continuar a assegurar os serviços nestas matérias”, explicou.

“Não havia maneira de se estar preparado para uma coisa com esta dimensão”, frisou, referindo que existe um “apelo internacional” para identificar especialistas que sejam falantes de português e possam ir para o terreno.

Há dois anos como diretora da Representação Regional em Genebra do FNUAP, Mónica Ferro elege as catástrofes naturais como a sua maior preocupação.

“No meio de (…) um desastre natural (…), os serviços colapsam e as respostas são ainda mais difíceis”, destaca.

“Preocupam-me especialmente porque são zonas onde muitas vezes ganhos de anos de trabalho constante são destruídos num curto espaço de tempo por fenómenos que nós conseguimos antecipar muitas vezes apenas teoricamente, mas não em concreto”, ressalva.

“O grau de preparação e de adaptação de uma sociedade para poder lidar com estes eventos climáticos extremos é muito reduzido”, concretiza.

O ciclone Idai afetou pelo menos 2,8 milhões de pessoas em Moçambique, Zimbabué e Maláui.

O último balanço das autoridades dos três países, afetados pela passagem do ciclone Idai, na noite de 14 de março, dá conta de 761 mortos identificados, mas são ainda números provisórios.

Em Moçambique, o número de mortos subiu hoje para 446, no Zimbabué foram contabilizadas 259 vítimas mortais e no Maláui as autoridades registaram 56 mortos.

Rondam as 500 mil as pessoas afetadas em Moçambique, quer porque perderam as casas ou estão em zonas isoladas, quer porque precisam de assistência.

A área submersa em Moçambique é de cerca de 1.300 quilómetros quadrados, segundo estimativas de organizações internacionais.

A cidade da Beira, no centro litoral de Moçambique, foi uma das mais afetadas pelo ciclone.

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