Depois de uma apresentação de cerca de uma hora do relatório de Atividades 2019-2021 da Comissão Executiva em funções, alguns membros da Iniciativa Liberal, reunidos este fim de semana no Centro de Congressos de Lisboa, pediram a palavra para deixar críticas à direção – cuja presidência é ocupada por João Cotrim Figueiredo, recandidato único ao cargo.

José Cardoso subiu ao púlpito para dizer que “passados dois anos a reflexão é um pouco agridoce”.

“O lado doce é olhar para trás e ver que fomos crescendo ao ritmo das eleições que participámos porque nos foram ajudando a passar a nossa mensagem. O lado amargo é que fomos geridos de alguma forma centralista, de forma contrária ao espírito liberal e que nos condiciona no crescimento e na excelência, com dificuldades em liberalizar, descentralizar, capacitar, envolver e motivar todos os membros”, apontou.

Em dois anos, continuou o membro, ao nível das regras e da transparência “tudo se centralizou neste partido”.

“Impediram no Conselho Nacional todas as tentativas de escrutínio do exercício da Comissão Executiva como previsto em estatutos e não permitiram a definição de uma política de remunerações, quem ganha e o que é que ganha ninguém sabe neste partido. Em dois anos, eliminaram os núcleos de sustentabilidade e de juventude que continuam por aí mas não se sabe bem quem é e não existem eleições: parece uma juventude por despacho”, criticou.

Na opinião de José Malheiro, não foram difundidas “formas de gestão do conhecimento de forma descentralizada” e não foi promovido “o debate de ideias interno aberto a todos”, não tendo existido também uma “gestão eficaz” da entrada de novos membros.

“Privilegiaram a propaganda de promoção de certas pessoas que não se conhece qual o critério e escolheram os candidatos sem termos regras internas. Portanto, a Comissão executiva tudo decide”, lamentou, acrescentando que “num partido liberal não bastam boas ideias, é preciso também fazer política de forma diferente”.

Já Rui Malheiro, referindo-se à apresentação do relatório de atividades, que se estendeu por cerca de uma hora, atirou: “O problema desta Comissão executiva é isto: estarem a falar durante uma hora e meia e os membros terem pouco tempo para falar e, portanto, falam mais do que ouvem”.

Este membro liberal considerou importante “descentralizar as estruturas do partido”, “aproveitar o conhecimento dos membros de forma colaborativa” e ainda “abrir o partido aos membros”.

Ao nível dos grupos de trabalho e gabinetes de estudo, apontou, estes “são escolhidos sem critério conhecido”, lamentando também que não seja conhecida a forma de escolha de candidatos e listas.

Por fim, Rui Malheiro criticou a “falta de apoio aos membros” que, a seu ver, “estão completamente desamparados”

“O acompanhamento dos membros não é realizado: falem com os membros, ouçam os membros. Eu sou o n.º 1093, nunca ninguém falou comigo, fui eu que ativamente tentei realizar trabalho para o partido”, criticou.

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