“Desde há décadas, as relações ucraniano-chinesas assentam no respeito mútuo e no entendimento. Partilhamos a posição de Pequim sobre a necessidade de encontrar uma solução política para a guerra contra a Ucrânia, e apelamos à China, enquanto potência mundial, para desempenhar um papel importante nesses esforços”, escreveu o ministro ucraniano na sua conta da rede social Twitter.

O responsável ucraniano que conduz as negociações com a Rússia, Mykhailo Podoliak, tinha já na semana passada exortado a China a tomar uma posição e a “condenar a barbárie russa”.

O Presidente norte-americano, Joe Biden, reuniu-se na sexta-feira, por telefone, durante quase duas horas com o seu homólogo chinês, Xi Jinping, para lhe expor “as consequências se a China fornecesse apoio material à Rússia”, segundo a Casa Branca.

Mas Xi Jinping manteve a ambiguidade, limitando-se a sublinhar que os conflitos militares não são “do interesse de ninguém”, segundo a televisão chinesa.

No domingo, o embaixador da China nos Estados Unidos assegurou que Pequim não forneceu assistência militar a Moscovo, sem precisar se tal posição se manteria também no futuro.

“Há desinformação segundo a qual a China está a fornecer assistência militar à Rússia. Nós desmentimo-la”, declarou Qin Gang, entrevistado pela estação televisiva norte-americana CBS.

O diplomata chinês defendeu igualmente a recusa por Pequim de condenar a ofensiva armada russa.

“Uma condenação não resolve o problema. Eu ficaria surpreendido se a Rússia recuasse por causa das condenações”, disse o embaixador.

Desde o início da invasão russa da Ucrânia, a 24 de fevereiro, o regime comunista chinês, que partilha com a Rússia uma profunda hostilidade em relação aos Estados Unidos, absteve-se de instar o Presidente russo, Vladimir Putin, a retirar as suas tropas da Ucrânia.

Essa posição contrasta com a da generalidade da comunidade internacional, que condenou a invasão e impôs à Rússia sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.

A ofensiva russa causou já a fuga de mais de dez milhões de pessoas, cerca de 3,5 milhões das quais para os países vizinhos, de acordo com os mais recentes dados da ONU — a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Segundo as Nações Unidas, cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A guerra, que entrou hoje no 26.º dia, causou um número ainda por determinar de mortos civis e militares e, embora admitindo que “os números reais são consideravelmente mais elevados”, a organização confirmou hoje pelo menos 925 mortos e 1.496 feridos entre a população civil, incluindo mais de 174 crianças.

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