“Os jovens médicos não querem ficar no SNS, querem ir para o privado ou para o estrangeiro”, disse o responsável num debate sobre o tema "Faltam médicos em Portugal?", considerando que Portugal tem um SNS que é de excelência, mas que funciona como há 42 anos.

Depois, apontou, há também o problema dos salários baixos, com o país a ter dos vencimentos médicos mais baixos de toda a Europa.

No debate, promovido pela Academia Nacional de Medicina de Portugal, o bastonário salientou que nos últimos 20 anos triplicou o número de estudantes de medicina, o que se reflete no número de médicos inscritos na OM.

Os números apresentados indicam que há hoje 59.697 médicos inscritos na OM, e que em 2008 eram 38.932.

Citando dados do INE, Miguel Guimarães disse que o rácio de médicos por mil habitantes também subiu em 20 anos, 74%, e que no ano passado havia 5,5 médicos por mil habitantes, mais 2,4 do que há 20 anos.

E segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), em 36 países estudados Portugal é o terceiro com mais médicos por 100 mil habitantes.

Os números apresentados pelo bastonário dizem que dos quase 60.000 médicos inscritos na OM trabalham no SNS 30.000 (10.000 internos).

E mesmo excluindo os médicos com idade de reforma (66,5 anos) há mais 17.000 médicos fora do setor público da saúde.

No ano passado, mais de um terço das vagas para contratar médicos recém-especialistas nas áreas hospitalares e de saúde publica para o SNS ficou por preencher. E este ano, no último concurso de medicina geral e familiar, ficaram por preencher cerca de 40% das vagas, disse também o responsável.

Nos dados apresentados pelo bastonário mostrou-se por exemplo que há 1.752 especialistas em anestesiologia inscritos na OM mas que 665 deles trabalham fora do SNS. O mesmo na radiologia, com 869 especialistas inscritos na OM, 509 deles a trabalhar fora do SNS. Ou na pediatria, com mais de um terço dos especialistas também fora do SNS.

No debate, além de Miguel Guimarães, participaram também Henrique Cyrne de Carvalho, presidente do Conselho das Escolas Médicas Portuguesas, e Adalberto Campos Fernandes, antigo ministro da Saúde.

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