Envolta numa bandeira do Brasil, Elisângela Rocha, dirigente do Coletivo Andorinha, uma das associações responsáveis pela organização do protesto de hoje, ia, ao lado da manifestante que gritava palavras de ordem ao megafone, incentivando quem estava a responder de volta aos reptos.

Ao som de um tambor, ia-se ouvindo “Fora, genocida”, “Bolsonaro, genocida”, mas também “Volta, Lula”, dando voz a uma faixa, onde se lia “O povo quer Lula de volta”, do Partido dos Trabalhadores (PT), que se juntou ao protesto global “Campanha Fora, Bolsonaro” que acontece em cerca de 400 cidades no mundo, cinco das quais portuguesas: Lisboa, Porto, Coimbra, Braga e Aveiro.

Os manifestantes, que querem a destituição do presidente brasileiro, foram gritando “Se o povo se unir, Bolsonaro vai cair” e lembraram ainda a revolução portuguesa, gritando “Em Portugal e no Brasil, sempre em defesa dos valores de Abril”.

Mas era no lema do protesto, “Comida no prato, vacina no braço”, que estava o resumo dos principais motivos das manifestações de hoje em todo o mundo.

Elisângela Rocha disse à Lusa que a concentração tinha como objetivo “denunciar a condução criminosa da pandemia” feita por Bolsonaro no Brasil, que acusa de ser responsável por milhares de mortes por se ter recusado a comprar vacinas, mas também o crescimento da fome e do desemprego e o agravamento da crise económica.

O coletivo nota cada vez mais interesse e participação cívica por parte dos brasileiros residentes em Portugal, mas também a solidariedade dos portugueses, disse Elisângela Rocha.

No dia em que foi cancelada a marcha de orgulho LGBTI em Lisboa, a responsável do Coletivo Andorinha disse ainda que o momento foi também “um grito contra a homofobia”, uma das marcas do mandato de Bolsonaro, acusado de retirar direitos às minorias.

Daniela Vitorino, brasileira a residir em Lisboa, juntou-se à manifestação de protesto contra o “pior Governo do mundo a gerir a pandemia”, gerido por “um genocida irresponsável” que se recusou a comprar vacinas e “promove um comportamento negacionista”, além de ter como objetivo “acabar com a floresta da Amazónia” e a “destruição total” do país, atacando setores como a educação e a cultura.

“Bolsonaro é muito perigoso par a democracia brasileira, que está completamente em risco”, disse.

Emiliano Santos segurava um cartaz que estendia a responsabilidade do que se passa no Brasil à família do presidente: “Família Bolsonaro mente, manta, destrói”.

Para o cidadão brasileiro, Bolsonaro “governa a favor da família dele”.

“Causa muita indignação ouvir noticiários, mesmo estando aqui [em Lisboa]. Parece que estamos a retornar ao século XVII”, disse o manifestante que está em Portugal desde 2019 e que recorda o primeiro ano de mandato de Bolsonaro, que ainda acompanhou no Brasil, sem saudades.

“Era uma sensação de conflito permanente, sempre muito tenso com as políticas contra os mais pobres, a comunidade LGBTI, contra as minorias”, recorda.

Movimentos sociais, sindicatos e partidos políticos que fazem oposição ao Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, promovem hoje manifestações para reclamar a sua destituição.

A “Campanha Fora, Bolsonaro” pede mais investimentos no Sistema Único de Saúde, nomeadamente de valores para a compra de consumíveis e equipamento hospitalares, a aceleração da vacinação contra a covid-19 e o pagamento de um auxílio emergencial no valor de 600 reais (cerca de 100 euros) para as famílias pobres cujo rendimento foi severamente afetado pela pandemia.

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, convocou os militantes para participarem nos eventos, e informou que além das reivindicações anunciadas pelo partido, os manifestantes também se opõem aos cortes na educação, à reforma administrativa e às privatizações e defendem as lutas do povo negro contra a violência e o racismo, serviços públicos de qualidade e a soberania nacional.

Em 29 de maio, milhares de brasileiros manifestaram-se em várias cidades do Brasil contra Bolsonaro, que é criticado principalmente pela sua gestão na pandemia de covid-19.

O governante está a ser investigado por uma comissão parlamentar de inquérito no Senado, que apura alegadas omissões cometidas pelo Governo no combate à doença.

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