Em declarações à Lusa, Hugo Carneiro salientou que, em termos líquidos, o partido teve no ano passado resultados globais positivos de 770 mil euros, depois de em 2017 – ano de eleições autárquicas – ter contabilizado prejuízos de 2,5 milhões de euros.

“Saímos do vermelho. Isto resulta da redução de custos do partido, nomeadamente no âmbito de fornecimento e serviços externos e nos gastos com pessoal, e não tanto pelo aumento das receitas do partido, que se mantêm estáveis”, destacou.

Segundo o secretário-geral adjunto do PSD, os cortes nas despesas fizeram-se sentir, sobretudo, na sede nacional e em itens como combustíveis, contratação de empresas externas ou alojamento.

Já o passivo do PSD – as dívidas acumuladas do partido – passou de 14,4 para 9,8 milhões de euros, o que significa uma redução de 33%.

“O partido que estava em falência técnica deixou de estar, o que é muito relevante, nomeadamente, para a relação que o partido tem com a banca”, afirmou.

Hugo Carneiro defendeu que esta “imagem de solidez financeira” do PSD fortalece a sua relação com a banca quando tem necessidade de recorrer a financiamento, nomeadamente para as campanhas eleitorais, com repercussões positivas nos juros e no ‘spread’ cobrados aos sociais-democratas.

“O que tentámos fazer foi tornar o partido mais transparente, fazer um aperto dos custos, sobretudo na sede central, para que possamos honrar os nossos compromissos com os fornecedores”, afirmou.

Questionado se tal “aperto” pode ter tido consequências na atividade política do PSD, Hugo Carneiro respondeu negativamente, contrapondo que se fez um melhor aproveitamento de recursos.

A título de exemplo, apontou três das principais iniciativas anuais do PSD: a comemoração do aniversário do partido, que se realizou em Beja, a Festa do Pontal, que teve no ano passado um novo formato, e a Universidade de Verão.

“Houve uma redução nos custos globais destas iniciativas de 46,6%”, destacou, considerando que em todas elas se manteve a dignidade de anos anteriores.

Hugo Carneiro salientou, contudo, que o problema financeiro do PSD não terminou, até porque existe ainda um passivo de 9,8 milhões de euros.

“Mas, é um esforço significativo, na certeza de que, quanto maior for a capacidade de o partido fortalecer a solidez financeira, mais liberdade tem e mais recursos liberta para a atividade para a qual existe, a atividade política”, referiu.

Questionado se o facto de 2019 ser um ano de três eleições poderá fazer ‘derrapar’ as contas, o secretário-geral adjunto sublinhou que todos estes atos eleitorais têm uma gestão centralizada (europeias e legislativas na sede nacional e regionais no PSD/Madeira), o que torna o controlo de gastos mais simples do que nas autárquicas.

Nas europeias, por exemplo, o PSD orçamentou 890 mil euros de despesas, mas Hugo Carneiro confessou que até “gostaria de gastar menos” nas contas finais.

Nas autárquicas de 2021, advertiu, terá de haver “uma gestão mais fina e cuidada” para que o partido não volte aos resultados negativos.

As contas do PSD de 2018 serão ratificadas numa reunião do Conselho Nacional do partido marcada para sexta-feira, às 21:00, em Viana do Castelo.

Nesta reunião será também votada uma proposta de alteração do regulamento interno do Conselho Nacional, que pede o fim da possibilidade de voto secreto para sufragar moções de confiança, de censura, listas de candidatos ou programas eleitorais.

A análise da situação política e a apresentação do programa eleitoral do PSD às eleições europeias de 26 de maio completam a ordem de trabalhos da reunião de sexta-feira do órgão máximo do partido entre Congressos.

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