Tal como fez em outras duas ocasiões desde a invasão russa da Ucrânia, o embaixador da Rússia na ONU, Vasily Nebenzya, voltou a pedir uma reunião para discutir a alegada existência de “laboratórios biológicos” na Ucrânia, alegando ter “provas documentais extremamente perturbadoras de que o Departamento de Defesa norte-americano está diretamente envolvido na implementação de projetos biológicos perigosos” em solo ucraniano.

O embaixador frisou que se trata de uma “real ameaça à região e ao mundo”, proclamando que os Estados Unidos, juntamente com a Ucrânia, “investigaram a disseminação de doenças perigosas transmitidas pela água” em vários rios ucranianos.

O responsável por Assuntos de Desarmamento da ONU, Thomas Markram, salientou que as Nações Unidas continuam a “não ter conhecimento de qualquer programa de armas biológicas” no país.

Markram observou ainda que, “atualmente, as Nações Unidas não têm o mandato, nem a capacidade técnica ou operacional para investigar essas informações”.

Ainda na reunião de hoje, e tal como aconteceu nas outras duas sessões sobre o mesmo tema, vários diplomatas acusaram a Rússia de estar a repetir-se e de divulgar teorias da conspiração.

“Todos nós confiamos nos relatórios da ONU sobre todas as questões que discutimos aqui, ouvimos atentamente as informações fornecidas e confiamos neles. (…) Mas estamos aqui novamente, a ver serem apresentadas as mesmas alegações não verificadas, não corroboradas, não fundamentadas e não factuais para um programa biológico inexistente na Ucrânia”, disse o embaixador da Albânia, Ferit Hoxha.

“As organizações que investigam já informaram que não há evidências de armas biológicas na Ucrânia. (…) Trata-se de propaganda para tirar o foco do que realmente acontece na Ucrânia”, acrescentou Hoxha.

De acordo com o diplomata, “é difícil não concluir” que se trata de uma “tentativa persistente de espalhar uma narrativa falsa”, “usar o Conselho de Segurança para fins de propaganda” e “desviar a atenção da terrível realidade dos crimes cometidos na Ucrânia”.

“Isso deve parar. Afeta a credibilidade e a relevância do Conselho”, frisou.

A mesma posição foi defendida pelos embaixadores da França e dos Estados Unidos junto da ONU, que acusaram Vasily Nebenzya de “convocar reuniões absurdas, com acusações categoricamente falsas”.

Já o embaixador do Gabão, Michel Xavier Biang, classificou como “assustador” o facto de alguns países estarem a lançar acusações de armas biológicas entre si, colocando “medo na humanidade”.

“A humanidade não precisa de ficar ainda mais receosa. (…) É um ciclo vicioso onde é difícil distinguir entre propaganda e informação verdadeira. É preciso uma investigação rigorosa e independente às acusações feitas aqui”, disse Biang.

Também o Brasil afirmou que informações sobre armas biológicas devem ser levadas a sério e investigada por órgãos independentes e isentos.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de três mil civis, segundo a ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A ofensiva militar causou a fuga de mais de 13 milhões de pessoas, das quais mais de 5,5 milhões para fora do país, de acordo com os mais recentes dados da ONU.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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