O regime russo oficializou a “reintegração da Crimeia na Federação Russa” em 18 de março de 2014, dois dias depois de um referendo favorável no território que tinha invadido, não reconhecido pela comunidade internacional.

“Quer gostem ou não, o futuro da Crimeia é para sempre com a Rússia”, declarou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russa, Maria Zakharova, citada pela agência oficial russa TASS.

Zakharova disse que a questão da Crimeia “está completa e irrevogavelmente encerrada”, numa alusão às pretensões da Ucrânia de que a península banhada pelos mares Negro e de Azov passe novamente para a soberania de Kiev.

“Nenhuma sanção, nenhuma ameaça, nenhuma chantagem, quer sejam os Estados Unidos da América ou os seus satélites, que se imaginam como uma espécie de senhores coletivos do mundo, mudará a nossa posição”, disse Zakharova num encontro com a comunicação social.

A porta-voz do ministério liderado por Serguei Lavrov referiu que a celebração na Crimeia do aniversário da reintegração decorrerá sob o lema “Primavera Crimeana — Juntos para Sempre!”, referindo que “reflete o estado de espírito da maioria absoluta” do povo do território.

“Os habitantes da Crimeia não cederam às ameaças dos nacionalistas ucranianos, neonazis, e no referendo de 16 de março de 2014 votaram a favor da reunificação com a Rússia”, afirmou.

Na altura do referendo de 2014, a Crimeia era habitada maioritariamente por russos (58%) e o resultado da consulta foi favorável à reintegração na Rússia (96,7% dos votos).

Dois dias depois, em 18 de março, o Presidente russo, Vladimir Putin, e os dirigentes locais assinaram o tratado da reintegração, seis décadas depois de o então dirigente soviético Nikita Khrushchev ter anexado a região à Ucrânia.

“Quero que me ouçam: não acreditem naqueles que receiam que, depois da Crimeia, outras regiões se seguirão. A Rússia não quer dividir a Ucrânia. Não precisamos disso”, afirmou Putin em 18 de março de 2014.

A Crimeia acolhe a base da frota russa do Mar Negro.

A anexação seguiu-se à destituição, em fevereiro, do então presidente ucraniano Viktor Ianukovich, considerado pró-russo, na sequência de um movimento de contestação por querer impedir a integração europeia da Ucrânia.

O atual Presidente norte-americano, Joe Biden, que era vice-presidente de Barack Obama em 2014, acusou então Moscovo de ter feito uma “usurpação territorial” no que considerou ser uma “flagrante violação da lei internacional”.

Oito anos depois, na quarta-feira, Biden chamou a Putin “criminoso de guerra”, uma acusação que Moscovo disse ser “inaceitável e imperdoável”.

Além da anexação da Crimeia, a Rússia apoiou na altura uma guerra separatista no Donbass, no leste da Ucrânia, que provocou mais de 14.000 mortos em oito anos.

Ao invadir a Ucrânia novamente em 24 de fevereiro deste ano, Putin justificou a ofensiva com um pedido de ajuda das autoproclamadas repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk, no Donbass, cuja independência tinha reconhecido dois dias antes.

A guerra na Ucrânia, que entrou hoje no 22.º dia, provocou um número ainda por determinar de mortos e feridos, bem como mais de três milhões de refugiados.

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