Na sexta-feira, a Ucrânia revelou ter matado o comandante do 49.º Exército do Distrito Sul da Rússia, o general Yakov Rezantsev, adiantando ser o sétimo oficial a ser morto desde o início da invasão russa.

Também recentemente foi noticiada a morte de Andrei Paliy, vice-comandante da Frota do Mar Negro, em combates perto de Mariupol, no sudeste da Ucrânia, confirmada por Mikhail Razvozhayev, governador da Crimeia, anexada pela Rússia.

Para Mykhaïlo Podoliak, conselheiro do Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, a taxa de mortalidade “extraordinária” de oficiais russos é um sinal de “total falta de preparação” do Exército da Rússia, que invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro.

"Dúzias de oficiais de nível intermédio [como tenentes ou capitães] foram mortos”, assegura, citado pela agência France Presse (AFP).

Vários órgãos de comunicação, que citaram comunicações russas intercetadas pelos ucranianos, chegaram a mencionar o assassinato de um oficial russo pelos seus próprios soldados desesperados.

Mas mantêm-se dúvidas, pois os ucranianos referem a morte do general checheno Magomed Tushaev, perto de Kiev, a 26 de fevereiro, mas o líder autoritário da Chechénia, Ramzan Kadyrov, revelou ter participado numa reunião, a 23 de março, e divulgou um vídeo com aquele oficial, a 13 de março.

Moscovo, de resto, confirmou apenas a morte de um general, enquanto algumas fontes apontam para 15.

No entanto, nenhuma verificação é possível nesta fase, assegura a AFP.

"Olho para estes números com muita cautela. Mas, se estamos a falar de cinco ou 15, o próprio facto de que eles estão a perder generais mostra que a cadeia de comando e controlo russo é extremamente fraca”, salienta Colin Clarke, responsável de investigação do Soufan Center, um ‘think tank’ com sede em Nova Iorque.

Analistas ocidentais e especialistas militares são unânimes em descrever uma primeira fase da guerra em que os russos falharam em geral.

Este exército, embora precedido por uma reputação lisonjeira, mostrou grandes debilidades na qualidade da sua inteligência, logística ou movimentações táticas.

Estão a "forçar os líderes a avançarem muito nas linhas de contacto", aponta um alto oficial militar francês.

Segundo esta fonte, ou as ordens “são mal compreendidas ou mal recebidas, as unidades não obedecem, ou há um grande problema de moral que obriga os generais a ir na frente".

Esta fonte militar francesa adverte para uma provável estratégia ucraniana: “Quando se pretende interromper uma cadeia de comando, aponta-se às cabeças”.

Outra debilidade é o uso, pelas forças russas, de ferramentas de comunicação facilmente intercetáveis.

As unidades de Moscovo "não prestam atenção aos procedimentos de segurança dos computadores e [as comunicações] são facilmente intercetadas", garante à AFP Alexander Grinberg, analista do Instituto de Segurança e Estratégia de Jerusalém (JISS).

No campo de batalha, a viatura com o comandante é reconhecida devido às suas “antenas e outros veículos que o protegem”, adianta ainda, explicando que desta forma é possível atacar o alvo com um míssil antitanque ou, melhor ainda, com um ‘drone’ de ataque.

Para os observadores ocidentais, o Kremlin não parece estar muito atento às baixas humanas, numa cultura militar ainda marcada pela herança soviética.

“A perda não é um travão. O desgaste não para o Putin”, lembra um diplomata Ocidental.

Mas para a cadeia de comando, estas baixas representam outro problema, porque os generais russos não são infinitamente substituíveis.

"Os números são importantes, especialmente entre os oficiais superiores, caso Putin esteja a sacrificar militares e mercenários como ‘carne para canhão’", refere ainda Colin Clarke.

Para este investigador, se os dados sobre perdas entre oficiais estiverem corretos, as “informações vão chegar à opinião pública e causarão dores de cabeça para a elite russa”.

O facto de Moscovo não estar a negar as alegações das autoridades ucranianas pode ser considerado, por algumas fontes, como uma confirmação dos dados, realça.

Leonid Volkov, um aliado próximo do oponente do Kremlin Alexei Navalny, atualmente na prisão, apontou que nenhum ‘media’ russo mencionou o funeral, em 16 de março, do general Vitali Gerasimov, morto no início do conflito.

“Ele foi enterrado sem que o seu nome apareça no túmulo”, destaca.

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