Jogar hóquei no gelo em Portugal é quase como estarmos na Suíça com uma prancha de surf na mão à procura de ondas.

A frase pode conter algum exagero, até porque é, ainda assim, possível encontrar uma pista de gelo permanente em Portugal, em Viseu (Palácio do Gelo) e outras pistas temporárias que, de ano para ano, sazonalmente, surgem por altura no Natal, em especial em grandes superfícies comerciais. Já em relação à ondulação em terras helvética é algo que não se vê de todo.

Em Elvas, o Coliseu Comendador Rondão Almeida, na antiga Praça de Touros transformada em pavilhão multiusos, é um desses locais onde, por esta altura, está instalada uma pista de gelo que tem limite de vida.

Aproveitando esta infraestrutura, a Federação Portuguesa de Desportos no Gelo (FPDG), com o “alto patrocínio” da embaixada e do embaixador da República Checa em Portugal, Stanislav Kázecký, e da câmara municipal resolveram organizar um torneio internacional quadrangular.

A competição decorre este sábado e domingo, a partir das 12h30, e terá a participação da seleção amadora de Portugal, uma equipa Francesa (Evry-Viry Jets, da 3ª divisão) e duas equipas amadoras da República Checa, Čeští lvi (Leões Checos) e Sklepovsti Srsani (Centro Cultural Vespões), composta por artistas que treinam em praças, em Praga. Ao todo, o torneio de exibição envolverá mais de 50 jogadores de hóquei no gelo.

Em busca de uma pista de gelo em Lisboa para espalhar a modalidade pelo país

Filiada na International Ice Hockey Federation (IIHF), apesar do nome Federação, é mais correto chamar-lhe associação, pois não tem “utilidade pública”, avisa Maurício Xavier, último presidente da Federação Portuguesa de Desportos no Gelo.

No seguimento de outras atividades desenvolvidas pela FPDG, “nomeadamente jogos amigáveis com congéneres estrangeiras”, estes encontros “têm como missão a sensibilização da população e dos organismos competentes para a prática dos desportos sobre o gelo”, procurando “alertar para a necessidade da construção de uma infraestrutura permanente de gelo em Portugal, para o desenvolvimento da modalidade”, lê-se numa nota de imprensa da Federação de Desportos no Gelo.

Filho de emigrantes no Canadá, Maurício lidera esta “luta” pela construção de uma pista na qual “os cerca de 30 atletas” que praticam esta modalidade pouco conhecida em território português possam treinar e jogar num piso com temperaturas abaixo dos 0º, de stick em forma de L na mão e a disparar o “puck”, um disco de borracha, a mais de 100 km/h.

“Lisboa é o local ideal, aproveitando o número de habitantes dessa região", disse, salientando que a partir do momento que a capital tenha uma pista, “a modalidade crescerá no resto do país”, acredita. “É um sonho que tenho. Que temos”, frisa.

Com três equipas no ativo, em “Sintra, Cascais e na Sertã”, os praticantes do hóquei no gelo, têm entre os “20 e os 60 anos de idade”, sendo que nenhum é federado, “são todos amadores”, e exercendo profissões que vão do “jornalismo, à arquitetura, passando por programador informático a estudantes”, revela.

Treinam em Centros Comercias, pavilhões e no alcatrão e querem representar o país

Tal como o próprio Maurício Xavier, entre os praticantes deste desporto, bastante popular na América do Norte (Estados Unidos e Canadá) e no norte e leste da Europa, há alguns lusodescendentes e estrangeiros, como é o caso do treinador Jim Altrep, canadiano, casado com uma portuguesa e que jogou a nível profissional nos EUA.

Enquanto não surge em Portugal a tal pista de gelo para a prática da modalidade, sem terreno fixo para treinar, andam literalmente com a “casa às costas” com um equipamento cujas proteções – luvas, capacetes, joalheiras e camisolas almofadadas - são dignas de gladiadores dos tempos modernos ou não fosse este um desporto com elevado e intenso contacto físico.

Depois de ter sido criado “um campeonato em 1998 e que durou até 2003”, nos últimos anos desdobram-se, no inverno, por Elvas e pelas pistas temporárias de gelo instaladas, na sua grande maioria em superfícies comerciais durante a quadra natalícia ou no palácio do gelo, em Viseu. Paralelamente “treinam em pavilhões (em Murches)” destinados à prática de hóquei em patins ou “no alcatrão”, adianta.

Maurício Xavier reconhece que alguns dos atletas são oriundos do hóquei em linha, outros há que “não se aventuram no gelo por falta de uma infraestrutura”. O hóquei em linha serve, assim, para “ultrapassar” essa lacuna, existindo três equipas, em Sintra e Cascais, que praticam essa modalidade que também cabe dentro da Federação de Desportos no Gelo.

"Se somarmos as duas modalidades, em Portugal podemos ter cerca de 50 praticantes de hóquei no gelo”, acredita. Acalenta, por isso, a ambição de “ter uma seleção nacional”, composta “por cerca de 30”.

Representando o “hóquei no gelo, patinagem artística e corrida de patins no gelo e curling”, para além da pista de gelo e de uma equipa que represente o país a Federação quer ainda, a “curto prazo”, ter uma “estrutura diretiva na associação”, adaptando-se “às novas exigências requerentes da federação” e “procurar a filiação na International Skating Union (ISU) para “albergar a patinagem artística e as corridas no gelo”, conclui.

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