Foi um dia animado. A fechar uma semana animada. Num dos “trade deadlines" (data limite para trocas) mais movimentados dos últimos tempos, a maior peça do puzzle pode não ter saído do lugar, mas não houve falta de peças a mexer. Algumas equipas procuraram reforçar-se para a segunda metade da temporada, outras houve que tentaram corrigir erros anteriores, algumas aproveitaram para limpar a casa e preparar o futuro e outras ainda não conseguiram fazer nada do que queriam. Quem saiu então a ganhar e quem ficou a perder nesta maratona de trocas na NBA?

Comecemos pelos vencedores deste dia. Comecemos pelos Milwaukee Bucks. A equipa que, neste momento, segue com o melhor recorde da liga (40-13) acrescentou um reforço perfeito para o sistema de jogo da equipa sem perder nenhum jogador da rotação. Em troca de Thon Maker (que enviaram para os Pistons, que enviaram Stanley Johnson para os Pelicans) e Jason Smith - dois jogadores que não faziam parte da rotação habitual de Mike Bundenholzer - a formação do Wisconsin adicionou Nikola Mirotic ao seu arsenal de atiradores à volta de Giannis Antetokounmpo. Já eram bons e ficaram ainda melhores.

Os Philadelphia 76ers também decidiram fazer all in no presente. Trocaram Wilson Chandler, Landry Shamet e Mike Muscala (e mais duas escolhas na 1.ª ronda do draft) por Tobias Harris, Mike Scott e Boban Marjanovic. É um preço alto por Harris, que é free agent no fim da época e pode sair, mas é uma aposta que pode compensar e muito. Harris é um dos melhores atiradores da liga (8.º em percentagem de 3 pontos, com 43.4%) e, no papel, encaixa que nem uma luva nesta equipa. 
É uma troca que faz sentido para o presente - ficam um com dos melhores cincos iniciais (se não o melhor) do Este - e também para o futuro, como possível substituto de Jimmy Butler, se este sair na free agency (os Sixers dizem que querem renovar com ambos, mas se um sair, o outro é um bom plano B).

Depois, puseram fim à bizarra saga de Markelle Fultz e passaram essa batata para os Orlando Magic, em troca de Jonathon Simmons (e duas escolhas no draft). E receberam ainda James Ennis dos Houston Rockets. 
Conseguiram reforçar o cinco e recrutar peças para melhorar a profundidade do plantel. E saltar para o topo das apostas no Este.

Os Toronto Raptors não quiseram ficar atrás dos seus concorrentes diretos e fizeram um upgrade na posição de poste. Enviaram Jonas Valanciunas, Delon Wright, CJ Miles e uma 2.ª ronda no draft para Memphis em troca de Marc Gasol. Apesar do espanhol ter já 34 anos (mais 8 que Valanciunas) é um grande reforço para a equipa canadiana. E, com a dúvida se Kawhi Leonard continua ou não (e também para o convencer a tal), o objetivo é ganhar já, pelo que a idade de Gasol não é um problema. O melhor plantel que os Raptors já tiveram ficou ainda melhor.

E os Boston Celtics, que podem ter ficado a perder no imediato, mas são também um dos grandes vencedores deste dia. Não se reforçaram para esta época e passaram de claros favoritos no Este a apenas a quarta melhor equipa da conferência. Mas Anthony Davis continua nos New Orleans Pelicans e vão poder entrar nesse leilão no verão (leilão no qual também querem entrar os New York Knicks, mas há mais sobre isso ali em baixo).

De destacar ainda a (já anunciada) ida de Wes Matthews para os Indiana Pacers, que conseguem um jogador para colmatar um pouco a ausência de Oladipo.
 
Isto tudo somado e a luta pelo título do Este ficou muito mais interessante.

Se no Este foram os principais candidatos quem mais mexeu, do outro lado da liga encontramos os maiores vencedores entre as equipas que estão mais para baixo na tabela. 

Os Houston Rockets corrigiram os erros do Verão passado e (re)melhoraram o banco. Dos jogadores contratados nesta offseason - Carmelo Anthony, Marqueese Chriss, Brandon Knight, Michael Carter-Williams e James Ennis - nenhum continua na equipa. Nos seus lugares estão agora Austin Rivers, Kenneth Faried e Iman Shumpert.

Já tinham conseguido Rivers e Faried no mercado das dispensas e ontem trocaram por Shumpert, que é o tipo de jogador que precisavam (o tipo de jogador que tinham em Ariza e Mbah-a-Moute): um defensor versátil e bom atirador (o extremo “3 and D”). 
Daryl Morey é o primeiro a admitir que o plano do Verão falhou, mas conseguir corrigir em cima do joelho e durante a temporada não era nada fácil. Morey fez o que pôde. E não fez nada mal.

Os Los Angeles Clippers, que melhoram as suas hipóteses de manter a escolha no draft deste ano (perdem a sua escolha se se apuram para os playoffs) e libertaram espaço salarial suficiente para dois contratos máximos e ir atrás de dois free agents de topo no Verão. Estou, Kawhi?

E os Dallas Mavericks, que fizeram um dos negócios da semana, com a troca por Kristaps Porzingis. Depois, continuaram a arrumar a casa com a troca de Harrison Barnes. Conseguiram uma segunda estrela para juntar a Luka Doncic e limparam a folha salarial para poder acrescentar uma terceira na free agency. Foi uma boa semana para os Mavs.

(Um parêntesis para fazer de advogado do diabo e dizer que os Knicks, massacrados por terem trocado Porzingis, também libertaram espaço salarial para serem protagonistas na free agency. O plano, segundo consta, é perseguir Kevin Durant e Anthony Davis ou Kyrie Irving. Sendo os Knicks, provavelmente acabam a gastar esse dinheiro nuns Tim Hardaways Jrs da vida, mas pelo menos têm um plano.)

Com três equipas de mercados grandes com muito dinheiro para gastar, a free agency do próximo Verão também ficou muito mais interessante.

Os grandes derrotados deste trade deadline? Os Los Angeles Lakers. Os fãs sonhavam com um Anthony, mas parece que vão ter de se contentar com outro Anthony. 
Magic Johnson e Rob Pelinka não conseguiram convencer os Pelicans a trocar Anthony Davis e, pelo caminho, podem ter destroçado a química da equipa. Os seus jovens jogadores sabem que estão ali a prazo e que no verão serão oferecidos aos Pelicans. Como disse Scottie Pippen a propósito de um post de Lonzo Ball no Instagram a celebrar o facto de não ter sido trocado: “Parabéns, Lonzo, conseguiste o quê, mais 4 meses em Los Angeles?”

Por último, também o mercado de “buy-out” (jogadores dispensados) é um dos melhores dos últimos tempos. Foram vários os jogadores que não faziam parte dos planos das equipas e que, depois destas não os conseguirem trocar, acabaram por ser cortados. Enes Kanter, Wayne Ellington, Wes Matthews, Carmelo Anthony e Markieff Morris são os nomes mais sonantes já disponíveis, mas outros, como Robin Lopez, Marcin Gortat, Milos Teodosic, Michael Beasley, Zach Randolph e Greg Monroe, deverão juntar-se a essa lista.

Estão lançadas as cartas para a segunda metade da temporada. Uma segunda metade que acabou de ficar muito mais interessante. Venha ela.

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