Como o futebol em Inglaterra só pára no verão, o repouso foi ‘ativo’. Com um jogo para a terceira ronda da Taça de Inglaterra (FA Cup) e com a primeira mão das meias finais da Taça da Liga (EFL Cup), que viu o embate entre José Mourinho e o recém chegado a Inglaterra Marco Silva, a emoção do futebol inglês não deixou de estar presente.

Esta semana, com o regresso dos jogos para o campeonato, seria muito difícil fugir ao tema "Marco Silva". Muito se tem escrito sobre o Hull City na imprensa portuguesa desde a chegada do português. Entre donos egípcios, tentativas de mudança do nome do clube, compra de estádios, venda ou não do clube, adeptos a exigir demissões, uma pré-época desastrosa com contratações apenas no penúltimo dia antes do fecho do mercado, um treinador interino que durou apenas 83 dias no comando da equipa e, claro está, muita gente insatisfeita, o Hull tem tido um pouco de tudo.

Marco Silva não poderia ter aterrado em pior situação. Com Steve Bruce a abandonar o barco ainda antes do início da liga, após o clube repetidamente falhar contratações e chegar a ter apenas doze jogadores experientes disponíveis, e com Mike Phelan a assumir os comandos como interino, a época do Hull City tem sido um "desastre" mais ou menos esperado.

Contudo, e apesar de concordar que todo este cenário é terrível para o clube, não acho que isso seja negativo para o português de 39 anos que vê na equipa do norte de Inglaterra uma boa oportunidade para, ainda assim, dar um salto na sua carreira.

A meu ver esta é a mais estimulante e interessante oportunidade para o treinador. Para nos situarmos, o Hull City encontra-se na última posição da tabela, com apenas três vitórias e a pior diferença de golos de toda a tabela.

O que tem, então, Marco Silva a seu favor?

Na minha opinião, e sem querer ser "do contra", o que Marco Silva tem a favor é o que muitos têm apontado como negativo. A terrível série de jogos que se avizinha é uma delas. Com a estreia marcada pela visita de uma das surpresas do campeonato, o Bournemouth - que na primeira volta cilindrou o Hull City por 6-1 - o treinador português terá logo de seguida que enfrentar Chelsea, Manchester United, Liverpool e Arsenal. O que há de positivo em tudo isto? O facto de todos estes jogos serem seguidos e, com experiência (de curto prazo) acumulada, o Hull poder fazer uma pequena surpresa e roubar os primeiros pontos esta época a um dos primeiros seis classificados da liga. Se não conseguir, tudo como dantes. Se conseguir, são pontos a favor do português. Jogos difíceis e mais que prováveis derrotas, não trarão pressão extra e poderão dar tempo a Marco Silva para afinar arestas e resolver os problemas de posicionamento defensivo, quer em jogo corrido, quer em bolas paradas, que o próprio fez questão de mencionar em conferência de imprensa.

"Precisamos de um milagre para permanecer na Premier League mas por vezes os milagres acontecem. Talvez em Maio o milagre aconteça, veremos". Marco Silva

Sendo justo, a verdade é que após este começo infernal as coisas não ficarão propriamente mais fáceis, não só porque o Hull City continuará, muito provavelmente, a ser o último classificado, mas também porque estamos a falar da super competitiva Premier League. Ainda assim, e depois da tempestade, os Tigres (alcunha pela qual é conhecida a equipa) terá então a oportunidade de, pelo menos em casa, tentar dar a volta à situação. Visitando o Manchester City no início de abril e deixando para a última jornada a recepção ao Tottenham, o Hull terá o resto das jornadas para tentar amealhar o maior número de pontos possíveis para fugir à (neste momento, mais que) provável despromoção.

Por último, e agora sim o facto mais negativo que Marco Silva tem para enfrentar, a luta pela permanência será feita apenas a quatro. A meu ver, Middlesbrough e os restantes clubes acima na tabela conseguirão a permanência, o que deixará Crystal Palace, Sunderland, Swansea City e o próprio Hull como os mais prováveis candidatos à descida, sendo que apenas um dos quatro resistirá à despromoção. Ainda assim, e porque há um sempre algo de positivo, o Hull recebe, em sua casa, dois dos três clubes com os quais está a lutar directamente. Uma nota ainda para o facto de os embates com Sunderland e Crystal Palace serem, respectivamente, na antepenúltima e penúltima jornadas do campeonato, o que nos deixa a sensação de que tudo se poderá ficar resolvido apenas no mês de Maio, dando algum tempo a Marco Silva para arranjar uma fórmula que lhe permita ganhar os jogos obrigatórios no seu calendário.

Esta semana, para não variar, temos uma super jornada. O clássico Manchester United - Liverpool lidera o entusiasmo, mas existem excelentes jogos no horizonte dos primeiros seis classificados: o Tottenham receberá a surpresa West Bromwich Albion, o Arsenal tem uma deslocação sempre difícil ao terreno do Swansea (que apesar da má classificação, tem jogado muito bem contra os ‘grandes’), o Manchester City visita o sempre difícil Everton e, por fim, temos um confronto entre italianos, com o Chelsea de Conte a visitar o Leicester City de Ranieri. Surpresas e emoção não faltarão.

Pedro Carreira é um jovem treinador de futebol que escolheu a terra de sua majestade, Sir. Bobby Robson, para desenvolver as suas qualidades como treinador. Tendo feito toda a sua formação em Inglaterra e tendo passado por clubes como o MK Dons e o Luton Town, o seu sonho é um dia poder vir a treinar na melhor liga do mundo, a Premier League. Até lá, pode sempre acompanhar as suas crónicas, todas as sextas, aqui, no SAPO 24.

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