Para o chefe do executivo, a “hipercentralização global” da produção de um conjunto de produtos e matérias-primas “é dramática”.

Como exemplo, Costa apontou a chegada, hoje mesmo, a Portugal de quatro milhões de máscaras e centenas de milhares de equipamentos de proteção individual fabricados na China, num voo da Ethiopian Airlines.

“Não é possível estarmos nesta dependência de uma coisa que é produzida na China, é transportada a partir da Ethiopian Airlines para finalmente chegar aqui ao Porto e que é uma reserva que dá para uma semana”, referiu.

Por isso, acrescentou, “a Europa vai ter de reinventar a sua organização produtiva, porque não vai poder voltar a correr o risco de ficar neste quadro de disrupção”.

António Costa falava durante uma visita ao Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário de Portugal (CITEVE), que está a criar uma espécie de “manual de instruções” para as empresas que agora decidiram dedicar-se ao fabrico de equipamentos de proteção individual, por causa da pandemia da Covid-19.

Na visita, esteve também o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, o qual sublinhou que a indústria têxtil e do vestuário portuguesa “tem capacidade” para responder às necessidades daqueles equipamentos.

“Temos a expetativa de que muito rapidamente as nossas empresas do setor têxtil e vestuário estarão a responder às necessidades do país”, referiu Siza Vieira, sublinhando que o Estado “espera comprar” às empresas nacionais.

O responsável do CITEVE, Braz Costa, admitiu que a produção nacional daqueles equipamentos poderá arrancar já na próxima semana.

Uma produção que, defendeu, “tem de ser cada vez mais profissional”, para que os equipamentos de efetiva proteção em vez de constituírem um perigo para a saúde de quem os utiliza.

Além disso, sublinhou que esta pode ser uma nova fileira para as empresas nacionais.

“Portugal pode ser o país melhor colocado para o desenvolvimento do conceito de moda de proteção individual”, referiu.

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